Ceci y Fer [Parte 1/2] – Eu já passei de moda
29 de setembro de 2014

Em dezembro passado, dois dos editores desse blog estiveram em casa de Angélica Freitas (Pelotas, RS) por cerca de uma semana. A torrente de textos apresentados resultou numa postagem específica, espécie de mapa afetivo das leituras, entitulada Guia Poético Pelotense. Incapaz de dar conta de objetos tão distintos, apontava para caminhos que nos perseguem e influenciam ainda hoje. Retomamos aqui a publicação Ceci e Fer (poeta e revolucionária), primeiro número da revista de poesia escrita por Cecilia Pavón e Fernanda Laguna lançada em 2002 pela editora independente Belleza y Felicidad.
Escrita inteiramente por Cecilia e Fernanda, a revista espanta pelo que, nas palavras das autoras pode ser visto como “uma mistura de tosco e íntimo e vida. Pura vida com um pouco de arte.” Clama para si a invenção de um novo gênero poético, a poesia de hotmail (ou hotmail poetry). Além de webcorrespondências ou conversas de chat, segue como uma investigação por diversos registros: traduções e citações de canções pop (Shakira, Pink, Eminem), desenhos, caligrafia, mistura de fontes, receitas de remédio, correções e cortes a caneta sobre os poemas digitados… Mais que exercícios de estilo ou forma, a revista extingue qualquer fronteira entre arte e vida. Tudo é material poético e tudo é parte da autoficção em que mal se distingue qual das autoras escreve cada texto.
Entre as contradições e ambiguidades das autoras diretamente expostas e o tom jocoso e experimental, salta dos textos algo de jovem, ingênuo e, sobretudo, intenso. Livre.
Publicamos uma primeira seleção dos textos de “Ceci y Fer (poeta y revolucionaria)”. Año I. N I – 2002, Buenos Aires, Argentina – Revista feita por Cecília Pavón e Fernanda Laguna. Em tradução de Thiago Gallego¹.
***
Medo
Fernanda eu também tive medo de você.
Quando estava de viagem escrevi um poema sobre você, se chamava
“A casa de Fernanda”
mas perdi. Te conto partes, seguia mais ou menos assim:
Procuro uma música pra entrar na casa de Fernanda
a escada, o corredor, as plantas, a mesa
procuro uma música para falar da casa de Fernanda
Escrevi no inverno gelado de Berlim a milhares e milhares de quilômetros de distância, e falava da sua casa, as escadas, o corredor, as plantas, os quadros. E terminava que sempre tinha amantes no teu quarto, que ninguém conhecia, que tinham vindo da província e que de um dia pro outro desapareciam.
Tua casa sempre me pareceu muito misteriosa, o que não podia dizer de nenhuma outra casa a que tivesse ido. Tua casa antiga também, que foi onde nos conhecemos. As duas casas tinham algo….especial. Cê diz que eu sou “um ser estranho”, mas você… você, linda, é um ser muito mais estranho. Esse livro que escreveu “triste”, que curioso que é, com números em vez de poemas, curiosíssimo.
Acho que o ponto máximo do meu medo de você foi quando queimei um quadro que me deu de presente. Que forte foi, estava tão louca. Lembro e volto a me emocionar. estava tomada, paranoia total, 100% psicose, por sorte agora estou melhor…que seja, não sei se alguma vez voltamos a tocar nesse assunto, o queimei na pia de lavar pratos, e joguei os restos pela janela da cozinha.
Quando te chamei pra dizer que tinha queimado, me contestou
“ah, já estava queimado”
e era verdade era um quadro que tinha a parte superior esquerda com um furo que você havia queimado depois de pintar.
*
Na casa da ANA
Outro dia visitei uma guria
que não era das mais bonitas
mas era uma verdadeira comedora.
Uma vez no Festival do Rio me convidou a foder num motel
e eu disse que não
porque estava namorando.
Outro dia mandei um e-mail de guerra
Guerra!
Que dizia:
“Quer que eu vá jantar na tua casa?
hmmm….”
Ela me respondeu imediatamente (vê-se que estava conectada).
“Quarta às 19:30”
Bom depois liguei pra ela e acertamos.
Quando ia pra lá no ônibus pensava nos horários.
Já que tinha que estar de volta cedo, por causa do meu namorado.
Pensei,
chego às 20:30
conversamos até as 21:15 bebendo algo assim nos embebedamos
e comemos algo simplezinho que ela deve ter preparado.
Vou comer pouco assim me bate mais o álcool,
já que não tenho muito tempo para tomar muito.
Às 21:30 fodemos mais ou menos uns 45’.
Às 22 bebemos mais alguma coisa e fumo um cigarrinho, falamos de amantes
porque sei que ela curte
porque
ela é
uma
comedora
madura
esperta
sem onda
mas adulta, com muita experiência.
Comemos durante uma hora e meia fantasticamente,
nada simples
de 20:30 a 22:00.
Carne, com salada. Guacamole e queijos provolone ou gouda.
Meus horários estavam se alterando mas tinha uma margem de erro
Tomamos Campari e comi tanto que não bateu.
De modo que pedi mais álcool. Caipirinha.
Estava ótimo
e meu ânimo e meus planos pareciam que iam adiante
com problemas de cronograma mas adiante.
De repente,
começou a falar de mim.
“Que que manda? Te vejo um pouco deprimida…”
E começou a dizer coisas horríveis de mim e chorei.
Chorei feito louca
porque tinha razão.
Minhas lágrimas caíam de verdade, abundantes.
Não foi um truque pra que ela calasse.
Chorava de verdade.
Que faço o que me dá na telha, e me faço a idiota, a ingênua.
Chorei e ela não me consolou.
Seguia me reprovando coisas e situações.
Por que no ano passado tinha levado o pep
a nossa viagem de “amor” no festival de cinema do mar del Plata?
A verdade é que não sei por que fiz isso.
Ela tinha razão me pagou duas noites de hotel
e dormimos numa cama de casal
com uma caminha acoplada em que dormia minha melhor amiga.
Bom mandei mal ou fiz de propósito
não me lembro.
Chorei das 22:00 até 0:30
No meio tempo fomos à sua cama e falamos dos livros que ela lia,
e que eu não conhecia.
Cinco por semana.
Eram 0:45 e eu pensava Pra que me meto nessas aventuras?
Tá tudo tri mal.
Depois voltamos ao living e me disse
“Cê tá tri louca docinho, cê tá tri mal”.
Sim, estou tri mal e ela tem razão.
Mas ela sabia como dizer as coisas para que eu chorasse.
E eu?
Que penso de mim mesma?
*
REFLEXÕES AUTOMÁTICAS
               2ª PARTE
A)     O GATO
O livro do gato
ou o poema a Maria Moreno?
E o cachorro?
E a música chiclete?
E a inspiração?
Todo poema é charmoso
seja como for.
Gastar dinheiro é lindo
e é lindo que nos paguem.
Ganhar dinheiro com o trabalho.
Tenho poucas palavras pra usar,
quero utilizar mais
porém não me ocorrem
Jamais!
Minha espontaneidade é simplória e
despojada.
Insossa.
A minha é a escrita automática
da mente relaxada.
Forçando a mente para que se
relaxe.
A cidade está cheia de gente
de lugares que não conheço
institutos, bares, cafés.
Cada um é único
e o mundo gira ao redor dele.
Cada planta é uma árvore única
cada ser é importante ou não, e
único,
o centro da sua existência.
Óbvio.
Literatura de mente cansada.
Me canso de ter a mente tão
relaxada pra qualquer lado.
O relaxamento desenergiza,
tira vitalidade.
O robe é pierrot, um mimo.
Seu o mimo tenro.
A estátua viva falante.
Me surpreende a quantidade de crianças
que chegam mês a mês ao planeta.
Adoraria transitar outros corpos,
outras mentes,
outros sexos, outras circunstâncias
múltiplas.
A música é a ponte a outros
mundos de maior perfeição.
Me encanta saber que posso deixar
de fazer as coisas que acreditava não
poder.
B)     TRANSE
Acredito no amor a si mesma.
Acredito no poder reconstituinte da
autoestima.
Quero organizar um instituto com
migo mesma.
Quero descobrir o poder tácito de
querer-me.
Tácito, antagônico, depravado,
escuro, luminoso.
A liberdade na pintura é maior
já que está despojada de toda reflexão, portanto,
da noção de bem e de mal..
O lindo e o feio são relativos ao gosto de cada pessoa de forma que…
Liberdade, liberdade, liberdade.
Libertação através da combinação de cores e de materiais;
Através da não-pintura ( deixar os fundos da tela crua, o cartão sem
pintar).
A obrigação é não-obrigação.
A carreira artística é ao contrário.
Decorativismo, sensualidade, amor, expressão,
hobbie, entretenimento, conceitos e imaginação.
O tédio é falta de imaginação.
Os conceitos são as cores e isso é lindo.
Pintar através dos conceitos mais abstratos.
Um papel de seda é um conceito,
uma lã é outro absolutamente diferente.
Não faz falta explicar as diferenças.
O mais óbvio
é às vezes o mais oculto-obscuro.
O branco pode refletir muita luz
e fazer doer os olhos e fazer que a mente tenha que fechá-los;
A cola pode ser uma droga e ao mesmo tempo uma cor
e ao mesmo tempo cumprir sua função de cola.
Tudo isso é minha teoria do tempo-cor.
É impossível negar a influência do amor nas obras de arte
e, poderia até arriscar,
em toda criação física ou mental.
Os números são em simultâneo
a voz da matéria em geral.
Duchamp, el bosco, Leonardo, Giotto,
Santas Teresinha e Teresa, Santa Clara,
as bruxas que acabaram queimadas,
amarradas a postes queimados também,
e que não poderemos recuperar seus nomes; as artistas
que criaram as cidades acomodando copos no armário da cozinha.
Preparar ( já estamos chegando) uma simples comida
move as coisas em diversas regiões do planeta.
Acredito no poder da mente que pode
transformar, transportar e desmaterializar objetos (TTD).
Nasci para tentar me deslocar através da quarta dimensão.
Contemplei uma folha de maconha
e pude sentir sua influência no meu interior.
Acredito na simbiose, no mimetismo, na somatização
e na superstição (SMSS).
A imaginação e os sonhos (IS),
já está demonstrado,
são parte importante da realidade.
Dou a eles um lugar importante no meu dia e na minha noite.
Deixo que atuem.
Sou um canal de expressão.
Falo e escrevo em transe com a voz da gente do futuro
que imagino ou que virá.
Eu já passei de moda
e a gente do presente brilha estranha em seu transe de realidade.
É muito difícil adivinhar onde se encontra o homem que me observa de vez em
quando no ônibus.
Não sei e tampouco me interessa saber o que pensa.
Seria uma loucura tentar penetrar sua mente.
Minha realidade a essa altura do transe poeprosa
se mantém ao nível das palavras que consigo utilizar,
poucas ou muitas,
ao fim e ao cabo as palavras que me ocorrem.
Pela noite,
quando estou sozinha no meu apartamento,
sinto que há gente invisível mas que não faz ruído.
Costumo me assustar e entrar em pânico.
Olho e ao fazê-lo não vejo ninguém.
Vejo-os com o ponto mais lateral do olho até as têmporas.
Essa é a zona que percebe os seres de baixíssima resolução.
Quase invisíveis.
Me pergunto
Por que terei medo?
Também temo aos ladrões de verdade
e em um ponto se parecem.
Se deslizam como ratos com muita habilidade.
Uma vez conheci um ladrão que me bateu e o amei e depois o odiei
porque me tornou louca.
Sinto-me resvalar nesse terreno.
Desde pequena percebia
a presença de fantasmas sobretudo no banheiro,
atrás da cortina da ducha e nos armários.
De dia,
esperava a noite
dentro do armário pra que não me surpreendessem.
Ali dentro o ar era morno, denso como um abraço.
O espaço reduzia meus movimentos,
a escuridão relaxava meus olhos.
E me mareava como se flutuasse
entre as saias e as jaquetas da minha irmã;
Fora estava
em algum lugar da casa estava minha mãe
com suas duas fontes
a do amor e a da dor.
*
quem é mais cruel mais bruxa mais vampira?
                                   boa                     linda                      mágica
*
ANOTEI TEU TELEFONE NA MINHA PAREDE JUNTO DO RESTO QUE ESTOU COMEÇANDO A PASSAR A LIMPO; SE NÃO OS PERCO.
ONTEM À TARDE QUASE PASSO PRA DAR ALÔ, AINDA QUE ME DESSE VERGOINHA; MEU PSIQUIATRA DISSE QUE ERA BOBAGEM MINHA, MAS FIQUEI TRISTE E ……..
BOM, ESPERO VOLTAR A TE VER,
BEIJOS
A GAROTA DO DARK ROM
AMANHÃ ME LEVANTO MUITO CEDO; COMEÇO A TRABALHAR E TENHO QUE ESTAR ÀS 7:30, DEPRESSÃÃÃÃÃÃÃO!
COISA DE 19:30 VOU ESTAR POR PERTO, TENHO TERAPIA. SI NÃO ESTIVER DESABANDO DOU UMA VOLTA.
POR OUTRO LADO QUERIA TE AGRADECER PELA COMPREENSÃO DE ONTEM; É A ATITUDE QUE MAIS PRECISAVA E QUE, LAMENTAVELMENTE, É DIFÍCIL DE RECEBER; OBRIGADA.
TE MANDO UM BEIJO GRANDE, VOU À CASA DE UMA MENINA QUE COLABORA COM A ARTE DO CURTA PRA VER UMAS MÁSCARAS.
BEIJOS,
A GAROTA DO DARK ROOM
OLÁ, FER.. TANTO TEMPO….
HOJE CEDO ESBARREI NOS TEUS EMAILS; E EM TANTOS OUTROS QUE NÃO PUDE CHECAR ESSES ÚLTIMOS DIAS. ESTIVE TRABALHANDO EM UMA FILMAGEM MUITO LOUCA PARA TV; LOUCA PORQUE ERA EM 16 E COM TRÊS CÂMERAS, COISA NÃO USUAL EN dicho medio. AS DIÁRIAS ERAM LONGAS, ENTRE 12 E 17 HORAS. TAMBÉM FIQUEI PENSANDO BASTANTE EM VOCÊ, E NO DESAGRADÁVEL DE MIM, EM RELAÇÃO A MINHA ABRUPTA AUSÊNCIA. O PIOR É QUE suelo SER ASSIM MISERÁVEL, FUGINDO DE TUDO E TODOS.
LOGO RETORNO NOVAMENTE AO COTIDIANO, AO MEU, NATURALMENTE. ENTRETANTO, TE VISITARIA SE FOR DO TEU AGRADO.
SÓ PRECISO QUE DIGA QUE NÃO TEM PROBLEMA.
ATÉ ENTÃO, UM BEIJO GRANDE,
CHEIROS,
A MENINA DO DARK ROOM
QUERIDA MENINA DO DARK ROOM:
NUNCA ME DEU BOLA
MAS FEZ UM QUADRO
QUE FICOU
BONÍSSIMO.
OBRIGADA
MAS
SE QUER
ME LIGA
LOGO
MANTIVE EM SEGREDO SEU NOME PRA QUE TE ANIME A RETOMAR A RELAÇÃO QUE QUASE NEM COMEÇOU
NÃO QUER SAIR PRA BEBER ALGO?
ACHO QUE TEMOS ALGUMAS COISAS EM COMUM
*
Hoje posso voar
tudo me cai bem
Sim.
Sou feliz
Alegre, atrevida
Te toco aí onde é gostoso
porque hoje me sinto
tri tri tri bem
comprou essa revista?
fez muito bem
garanto que vai curtir
vai se comover
vai se inspirar
Vai dizer:
quero fazer o que for…
e eu te digo:
junta suas mãos e reza
pra que esse momento tão lindo dure.
E quando se acabar vá comprar
a próxima revista
que vai estar incrível.
*
Estou ouvindo a canção do cavalo e do pônei
não acredito que é só o que escuto, é o acaso…
Tem ido ao psicólogo? Eu sim, mas estou por trocar de psicanálise a uma terapia mais comportamental e moderna. Acho que tem gente que precisa de coisas diferentes. Eu preciso algo mais contemporâneo. Hoje me sinto tranquilo e como você penso na morte, mas hoje posso pensar na possibilidade de ficar velha.
Seremos duas velhas fodonas?
Eu engordei 5 quilos numa semana ou duas. Culpa do psiquiatra. Tenho muita barriga e Javier Barilaro se enoja porque eu com o cinto evidencio. Mas tem que aproveitar. Quando se está peluda, tem que mostrar os cabelos. Quando se tem barriga, que te juro (me encanta jurar) vai diminuir, tem que colocá-la pra cima assim se nota. Moda, segredos da sedução.
Como conselho: “Explora tuas áreas fortes” Lembra que Javier nos disse que tínhamos narizes grandes e enroscados e torcidos. Acho que são muito originais. O meu é de estilo alongado como montanha.
Bem respondendo a teu email. Eu me sinto de “middle class”, e acho que o fim do mundo tem que ser inventado. Tem a ver com o poema que te mandei. Creio que desse email a parte mais interessante é a do fashion. ou não?
*
Fernanda não se suicide
se você desaparece eu desapareço
e o resto da vida é
o tempo que perco de fazer uma revista com você
Quer que façamos uma bandeira?
E se viramos djs?
manda ver e esse vai ser nosso primeiro disco
Djs….que nome nos damos?
Djs charmosas
Djs Cecilia y Fernanda
Djs confusão?
Tenho a tela…
bandeira triangular,
tipo aquelas com dois paus
ou tipo estandarte?
*
LUFTHANSA
Me senti bem quando me senti livre escutando música, fazendo
yoga ou andando de bicicleta.
Me senti bem caminhando pela rua Kollwitz
en Prenzlauerberg, um domingo de verão
que importava não ter namorado!
se ninguém estava desesperado
todos estavam bem
em breve brevíssimo poderei dizer o mesmo
me pergunto quanto custa uma passagem pra Prenzlauerberg
ou onde for
Cecilia,
comprei um nylon transparente
nele também podemos fazer a bandeira
e ir à próxima marcha pelos direitos da nossa amizade
*
Estou acorrentada ao e-mail
ao e-mail
ao e-mail
amo,
o e-mail
o e-mail o e-mail
Veja, não a internet, fria e impessoal
(“send me and email that says I love you”: pet shop boys)
*
“learning to love
yourself is the greatest
love of all”
                              (whitney houston)
*
Eu perdi porque tudo é um jogo
Minha casa estava cheia de bonecas
Faz uma semana guardei todas elas, beijei e lhes disse
até algum dia
não queria nada figurativo no meu quarto
por que mentiu sobre as
gurias com que tinha
dormido?
porque eram minhas amigas?
pensou que eu não ia descobrir?
“tudo se sabe entre mulheres”
Essa revista está escrita no meio do
desespero?
mais ou menos, da aceleração, da euforia, do
contágio, da fúria
***
1 – Nota do tradutor:
eu vou traduzir
todo o livro da cecilia
pavón
sem saber espanhol
e você vai ler
e perguntar
que porra de idioma
é esse?

 

               (por Thiago Gallego).

Ceci y Fer, Cecília Pavón, Fernanda Laguna, Tradução