Torquato Neto (parte 1 de 2): “Toda palavra guarda uma cilada”.
12 de junho de 2014

Em novembro deste ano, completam-se 70 anos desde o ano em que Torquato Pereira de Araújo Neto nasceu em Teresina no Piauí. Tendo vivido apenas 28 anos, produziu uma obra marcada por uma espécie de questionamento incisivo acerca das possibilidades da linguagem: talvez não sejam muitas as poéticas que, ao se debruçar sobre a língua, povoem-se de imagens dúbias, em que a vastidão é sinal de precipício, os fins se confundem com os princípios, e a guerra travada está sempre em outro lugar, diferente do último em que se pensou. A simples passagem de um verso como “eu sou como eu sou” para “pronome” parece mostrar, à contraluz, o dilaceramento que Torquato enxerga no fazer da linguagem: a sua foto recortada por um quatro, número cujas letras são quase um anagrama de seu nome, e então ele proposto como ator – na sequência infinita do jogo com o conjunto de letras do seu nome, nenhuma identidade se revela afinal, apenas compõem-se, decompõem-se pequenos espaços criados na língua. Uma espécie de jogo com abismo. Amplidão, mas rarefação.
O complexo, talvez problemático livro de André Bueno – talvez problemático porque o crítico se coloca na posição complicada de julgar não apenas a obra, mas as escolhas de vida e de morte do artista, como Hannah Arendt comentando Brecht, em Homens em tempos sombrios – podemos ler: “uma visão da linguagem como algo poluído, espalhando imprevisíveis significados, culminando numa espécie de apocalipse, entendido como caos no interior tenebroso da semântica” (BUENO, André. Pássaro de fogo no terceiro mundo: o poeta Torquato Neto e sua época. Rio de Janeiro: 7letras, 2005. p.40 – grifos do autor). As imagens para se referir ao poeta são comumente pânicas, marcadas pela intensidade (crítica, ou em crise) e por um movimento de voltar-se contra si: o pássaro de fogo (Waly Salomão), o escorpião suicida encurralado pelo fogo (Ana Maria Duarte, sua mulher).
Torquato a partir de 1969 sofre uma série de internações, diversos de seus escritos, como no caso de Lima Barreto, são produzidos no hospício. Com dificuldade de se sustentar financeiramente, de articular seus projetos cinematográficos, poéticos e de escrita, vivendo o auge do período da Ditadura Militar, em 1972, tira a própria vida. Num momento, em que diversos grupos ensaiam coros de contentes, mas que parece cada vez mais claro o quanto nos aproximamos dos dias todos do fim, pensamos que importante é lembrar quem nos ensina a desafinar.
Na postagem de hoje, apresentamos o documentário para a TV feito por Ivan Cardoso sobre o poeta, uma seleta de seus poemas, uma seleta de canções feitas em parceria, e uma carta dele endereçada ao amigo e também artista, Hélio Oiticica.
Let’s play that.
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Documento Especial: Torquato Neto, o anjo torto da Tropicália (Ivan Cardoso, 1992).


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Canções
Let’s play that from atchimsaude on 8tracks Radio.
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Poemas (retirados de Neto, Torquato; Pires, Paulo Roberto (org.). Torquatália 1: Do lado de dentro. Rio de Janeiro: Rocco, 2004).
  
Cogito
eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim
***
literato cantabile
agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e qualquer gesto é o fim
do seu início;
agora não se fala nada
e tudo é transparente em cada forma
qualquer palavra é um gesto
e em sua orla
os pássaros de sempre cantam assim,
do precipício:
a guerra acabou
quem perdeu agradeça
a quem ganhou.
não se fala. não é permitido
mudar de ideia. é proibido.
não se permite nunca mais olhares
tensões de cismas crises e outros tempos
está vetado qualquer movimento
do corpo ou onde que alhures.
toda palavra envolve o precipício
e os literatos foram todos para o hospício.
e não se sabe nunca mais do fim. agora o nunca.
agora não se fala mais nada, sim. fim, a guerra
acabou
e quem perdeu agradeça a quem ganhou.
***
a poesia é a mãe  das artes
& das manhas em geral: alô poetas
poesia no país do carnaval.
o poeta é a mãe das artes
e das manhas em geral. alô poesia:
os poetas do país, no carnaval,
têm a palavra calada
pelas doenças do mal.
mal, muito mal: a paisagem, o verde
da manhã, rever-te sob o sol de tropical
reverso da mortalha (o mal), notícias
de jornal – vermelho e negro – naturalismo
eu cismo
***
a) a virtude é a mãe do vício conforme se sabe;
acabe logo comigo
ou se acabe.
b) a virtude e o próprio vicio – conforme se sabe estão no fim,
                                                                            no início
da chave.
c) chuvas da virtude, o vício, conforme se sabe;
é nela propriamente que eu me ligo, nem disco nem filme:
nada, amizade. chuvas de virtude: chaves.
d) (amar-te/ a morte/morrer:
há urubus no telhado e a carne-seca
é servida: um escorpião encravado
na sua própria ferida, não escapa; só escapo
pela porta da saída)
e) a virtude, a mãe do vício
como eu tenho vinte dedos,
ainda, e ainda é cedo:
você olha nos meus olhos
mas não vê nada, se lembra?
  f) a virtude
mais o vício: início da
minha
transa, início, fácil, termino:
“como dois e dois são cinco”
como deus é precipício,
durma,
e nem com deus no hospício
(durma) nem o hospício
é refúgio. fuja.
***
muito bem, meu bem
muito mal
meu amor
o bem o mal
estão além do medo
e não há nada igual
o bem e o mal sem segredo
as marchas do carnaval
muito mal, meu amor
meu bem
não vem com não tem
que tem
tem que ter
na praça da capital
muito mal
meu amor
tudo igual
nada igual ao bem e o mal
2 (experimente que é legal)
eu creio que existe o bem e o mal
mas não há nada igual
e tudo tem mel e tem sal
julho/71
*** 
Andarandei
não é o meu país
é uma sombra que pende
concreta
do meu nariz
em linha reta
não é minha cidade
é um sistema que invento
me transforma
e que acrescento
à minha idade
nem é o nosso amor
é a memória que suja
a história
que enferruja
que passou
não é você
nem sou mais eu
adeus meu bem
(adeus adeus)
você mudou
mudei também
adeus amor
adeus e vem
quero lhe dizer
nossa graça
(tenemos)
é porque não esquecemos
queremos cuidar da vida
***
o poeta nasce feito
assim como dois  mais dois;
se por aqui me deleito
é por questão de depois
a glória canta na cama
faz poemas, enche a cara
mas é com quem mais se ama
que a gente mais se depara
ou seja:
quarenta e sete quilates
sessenta e nove tragadas
vinte e sete sonhos, noites
calmas, desperdiçadas.
saiba, ronaldo, acontece
uma vez em qualquer vida:
as teias que a gente tece
abrem sempre uma ferida
no canto esquerdo do riso?
no lado torto da gente?
talvez.
o que mais forte preciso
não sei sequer se é urgente.
nem mais se sou o caso
que mais mereço entender-
de qualquer forma, o a-caso
me deixa tonto, e querer
não é sentar, ter na mesa
uma questão de depois:
é, melhor, ver com certeza
quem imagina um mais dois.
paris, europa,  brasil lá no brasil
seis de setembro de 1969

***
Poemas Visuais (publicados na Navilouca – editada por por Lucio Urubatan de Abreu, organizada e coordenada por Waly Sailormoon e Torquato Neto. Rio de Janeiro, edições Gernasa, 1974)
 
 
 
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Carta para Hélio Oiticica (retirada de Neto, Torquato; Pires, Paulo Roberto (org.). Torquatália 1: Do lado de dentro. Rio de Janeiro: Rocco, 2004).

Rio, 13 de junho (1971)

Hélio, querido,
Salve. Já faz tempo que eu precisava te escrever – pelo menos desde que recebi teu cartão. Mas naquela época eu estava no Piauí esfriando a minha cabecinha, balançando numa rede e botando o pensamento em ordem.  Depois que cheguei no Rio (início de abril), tive de sair por aí feito um  maluco atrás de alguma coisa pra fazer, e logo em seguida tive de fazer essas coisas: produção de disco de novela pra Globo, música pra novela, música pra vender e garantir qualquer dinheiro -, enfim, um negócio chato e cansativíssimo que eu tinha de fazer, fosse como fosse, pra começar a criar condições que agora preciso ter à disposição: um dia depois do outro cheguei ao tal Plug, sobre o qual te falo mais adiante.

         Essa minha ida ao Piauí foi muito importante para que eu reiniciasse quase tudo depois do verdadeiro inferno que foram esses dois últimos anos, um na Europa e outro nesse gueto horrível do Brasil. Era tudo incrível. O menor barulho soava como todas as trombetas do após calypso e teve uma hora em que eu quase me vi perdido. Era tudo ou nada, desbunde, chateação. Na véspera da tua viagem eu estava louquíssimo curtindo uma viagem inacreditável que ninguém sabia – e quando saí da tua casa eu estava realmente louco de ódio, eu pensava: vai o Hélio embora e eu quase não estive com ele esse tempo todo, o que é um verdadeiro absurdo.  Tudo foi ficando tão insuportável que até as pessoas (pouquíssimas) a quem eu amo no duro entraram no bolo. Você via. Não ter podido acabar o filme do orgramurbana e, depois, não ter conseguido obrigar Naná a fazer o disco que eu havia planejado pra ele (e que seria fantástico se ele tivesse juntado coragem pra fazê-lo) acabaram de encher o saco. Tomei um vasto pileque de despedida e encerrei o papo de beber; fui ao Piauí sem Ana e sem Thiago, balancei na rede, balancei e depois achei que estava legal. Voltei pro Rio e uma das primeiras pessoas que procurei foi Waly. 

         Então Waly me falou que estava com vontade de fazer a super-frente super oito, mas estava encontrando muita dificuldade em arranjar quem pagasse por isso, como seria necessário. Ele estava querendo sondar a Kodak, mas eu achei que era barra-pesada demais, além do que seria dificílimo. Reinaldo Jardim era a única pessoa que podia quebrar o galho, eu disse pra Waly: ninguém ainda se lembrou de fazer badalação com essa moda de super oito em jornal. Vamos badalar no correio? Fui lá e expliquei pro Reinaldo que deu pulos de Nijinski. Fantástico. E tão fantástico que eu pedi uma página inteira e ele nos deu três. Pensamos então em pegar o Plug que era um suplemento de música muito bunda mole saindo dentro do correio aos sábados, e transformá-lo num jornalzinho nosso, livre de más companhias, em todas as bancas da cidade. Reinaldo deu outros pulos: autorizou.  Então eu pedi a Waly que te escrevesse a respeito, pedindo colaboração e explicando o papo. Daí você já está por dentro de tudo, mas mesmo com os pulos do Reinaldo Jardim e a série de facilidades que ele nos deu, você sabe muito bem como é difícil fazer bem-feito qualquer coisa deste tipo nesta pátria horrível. As dificuldades naturais impostas até pelo contínuo da redação, que se você olhar bem descobrirá ser da polícia etc.etc. O resto da equipe que põem à nossa disposição, um bando de gente careta e incompetente, a porra da gráfica do jornal que é uma merda e não faz nada igual ao que a gente pede – enfim, nós estamos com a maior tesão pra fazer um trabalho bem-feito, mas quase mais da metade dessa energia tem que ser perdida em luta contra esse tipo de problema brasileiro. É o jeito e, de qualquer modo, é infinitamente melhor do que ficar paradão. Deus me livre. Never again. Eu detesto ser obrigado a trabalhar dessa maneira, mas por enquanto é a melhor que se tem. Eu disse pra Waly: vai ser duro mas se você topar eu topo e a gente pode forçar a barra até dar pé. Eu fiquei contentíssimo (se posso) por Waly ter topado.

         Bom: faz quinze dias que estamos trabalhando nisso. Alguns contratempos típicos já começaram a aparecer. Na antevéspera do lançamento do jornal veio uma ordem da diretoria para suspender tudo, inclusive a onda que estávamos fazendo para o lançamento.  Motivo mais ou menos ignorado. Ordem seguinte: que remodelássemos o Plug como suplemento do correio e mantivéssemos incluso no jornal. Com o lançamento essa semana do Já, parece, a diretoria do correio ficou com medo de soltar o Plug, o que eu acho uma imbecilidade, já que este aqui será um jornal especializado em discos e cinema, só. O  ninguém sabe direito o que será – só terça-feira, quando sair. É uma frescura enorme, pelo que fiquei sabendo: reuniões secretíssimas e coisa e tal, mas parece que a ideia inicial deles – tudo ligado diretamente a produtos de consumo – vai se difícil de ser mantida. Até Elis Regina é colaborador, além de Capinam, Ronaldo Bôscoli, Ivan Lessa e mais outros. O Tarso arruma um jeito e deve dar pé. É com eles.

         Mas, eu ia dizendo, na última hora eles resolveram suspender o Plug novo e manter o Plug velho, nós ainda arrumamos, e fizemos virar tablóide pra ficar diferente do que era pelo menos nisso, e metemos um artigo de Waly e outro meu, introduzindo cinema na jogada – enfim, deu nisso aí que estou mandando pra você. Na verdade Waly tem uma página só dele, e eu tenho outra, sob o título de cinemateca, mas ou menos como está aí, sobre a foto do Glauber. Waly já deve ter contado pra você como vai ser a página dele. E você já deve ter sacado que pode dar o maior pé tanto pra ele como pro jornal. Minha ideia, pra cinemateca, é disfarçar e fazer qualquer coisa inteiramente descompromissada com cinema propriamente dito – mas que seja, sempre, de qualquer jeito, em torno, ou a partir ou depois do cinema. Vou ter também uma pequena seção sádica. Deve se chamar Do lado de fora e fará o serviço de noticiar bastante, até dar bastante água na boca, dor-de-corno e raiva na rapaziada, sobre filmes e os trecos de cinema mais bacanas que estão acontecendo fora deste lugar e que não serão vistos aqui principalmente pelos motivos de censura policial. É legal, não é? Anyway também masoquista, mas é legal. Anyway.

         Tem também uma página pra fazer entrevista com gente de cinema. Essa é obrigatória e estou fazendo algumas com uns caretas do cinema nacional. Vai estrear um filme do Antônio Calmon e eu fui entrevistá-lo, por exemplo. Depois vou ver se boto um repórter pra fazer essas entrevistas, porque, sinceramente, não aguento. É o fim. Agora o seguinte, Hélio: Waly deve ter explicado sobre a questão do pagamento, já que você topou escrever daí de vez em quando.  É muito pouco, 100 pratas, mas é certo que pagam, pelo menos a você eu faço questão de pagar.  Digo isso porque tem unas caras aqui que vão querer escrever de graça para o Plug, e escreverão. Isso tudo é porque a verba que os caras me deram pra pagar colaboração é inteiramente ridícula e eu só aceitei pra poder pedir a você que escrevesse. Waly me disse que você prometeu entrevista com o Jack Smith. Vai ser genial se você fizer. Por uma entrevista assim, e sendo grande, posso tentar conseguir algo mais que 100 cruzeiros, mas nem posso garantir ainda.  Prometo tentar bastante. Seu dinheiro, à medida que for saindo, entrego a  Waly ou a quem você indicar, mande dizer. Embora tenha começado tão mal, com esse número bagunçado de oito páginas só, eu acredito que esse Plug fique legal e termine dando pé.  Aqui não existe nenhum jornal como Melody Maker, por exemplo, e esse pode fazer esse tipo de serviço, agora que já está começando a ter publico pra essas coisas no Rio e em São Paulo. Uma espécie de radiolândia-filmelândia desta época daqui. Não podemos ficar sem Louis Serrano, de maneira que escreva, meu amor. Você está em nova York.

         Luiz Otávio conseguiu um produtor e está preparando um filme para agosto. Ele fez um curta fantástico com Oswald de Andrade e quebrou a cara porque, evidentemente, o I.N.C. não deu o tal certificado de boa qualidade. Mas o produtor que deu dinheiro para ele fazer esse filme é meio porra-louca e resolveu levantar uma nota para ele fazer o tal longa. É uma jogada muito bacana a de Otávio e tomara que dê certo.  É tão difícil se ver qualquer coisa que preste dando certo por aqui que eu tenho até medo de ficar animado com qualquer boa perspectiva que apareça pra qualquer um de nós. Mas estou torcendo muito para Otávio conseguir fazer esse filme. Ele me disse que você prometeu um livro a ele e não mandou. Está uma fera.

         Encontrei Mônica Silveira e ela me disse que vai pra Nova York dentro de alguns dias. Ofereceu-me, portanto agora me ofereço também: estou querendo mandar alguma coisa pra você. diga: discos? Quais? Se você tiver com vontade de ouvir alguns que você não tenha aí, sei lá quem, mande dizer logo que eu vou ver se mando por Mônica. Farei o possível.

         E o que mais? Ana e Thiago estão muito bem e maravilhosos. Tenho visto muito pouca gente porque a maioria não há quem aguente. Acho que já a partir desta semana o Plug começa a sair com suas dezesseis páginas – mas não sei quando sairá livre do correio da manhã. Se você puder, mande me contar sempre sobre os filmes mais legais que você estiver vendo ou já tenha visto: isso pode ser muito bom para a jogada Do lado de fora, tá?

         Maior maravilha o disco do Gil, né?

         Outra coisa: Hélio, você pode mandar pra mim o endereço de Naná? Se você encontrar com ele diga que eu mandei um beijo e que vou escrever breve. Tenho umas fotos sensacionais dele, que Otávio tirou. São fantásticas e vou publicar no Plug.

         Estou dando tudo pra esse jornal dar certo, Hélio.  Não estou me metendo em nada da parte da música, que é bem maior que a de cinema.  Mas pelo menos as minhas três páginas eu quero que fiquem o melhor possível. Normalmente eu detesto trabalhar em jornal, mas estou ligado nesse serviço porque eu não tenho mais compromisso com música popular brasileira e, enquanto consigo criar condições pra fazer outras coisas (fazer o Plug já é uma parte disso), devo cuidar também de ganhar algum dinheiro; você sabe como o Brasil está insuportável. Fica muito mais insuportável se a gente não tem, sequer, planos de viajar. O Plug pode me dar condições para viajar – nem que seja com o dinheiro que posso ficar ganhando.

         Mas isso já está virando declaração. Tchau, baby. Escreva e espere que qualquer dia eu apareço aí. Um beijo grande.

Correspondência, Torquato Neto