Revista-Disco “Bliss Não Tem Bis”. Making of. Lado B: “Dia da inauguração do mundo – Ouvido também lê”.
3 de dezembro de 2013

A Revista-Disco ganhou o mundo e os ouvidos de alguns leitores de poesia. Atravessa o Atlântico, para ser escutada em outras terras.
Existe, agora, como coisa entre outras coisas existentes. Pode ser encontrada, felizmente, no Rio de Janeiro no sebo Berinjela (Av. Rio Branco, 185, loja 10. Centro. Rio de Janeiro. RJ. (prédio em frente à estação Carioca do Metrô)), ou encomendada pelo email blissnaotembis@blogspot.com(sujeito à cobrança de frete).
Trata-se de uma Revista de poesia, pensada a partir das seções e categorias comuns a uma revista de poesia, mas no formato de um cd de áudio duplo (o cd 1 é o Lado A, o cd 2 é o Lado B da Revista-Disco). Um cd duplo com material gravado exclusivamente para o projeto. Os colaboradores incluem nomes respeitados no âmbito da poesia, da arte e da canção, e novos artistas que chegam à cena (a relação do elenco você encontra aqui).
O lançamento, que aconteceu dia 29/11/2013 no Rio, movimentou gente e beleza. E no calor de uma sexta-feira de primavera, havia espaço para escutar poemas e descobrir novas formas de ler e de pensar o poético.
Os interessados também podem buscar contato com um dos editores da Revista-Disco – Clarissa Freitas, Lucas Matos, Marcio Junqueira & Thiago Gallego – para adquirir seu exemplar.
Serão feitos lançamentos ainda em Pelotas, em São Paulo, e estão sendo planejados lançamentos no verão em cidades da Bahia, como Feira de Santana, Cachoeira, e Salvador. Todos os lançamentos serão informados através do Blog e da página do Facebook “Bliss não tem bis”. A Revista-Disco custa 20 reais, e estamos atualmente em busca de outros pontos de venda, para facilitar a busca dos interessados.
Na postagem desta semana, apresentamos a segunda parte, ou o Lado B do nosso Making Of, com fotos do lançamento (feitas pela fotógrafa Alessandra Migueis), acompanhadas de um poema de Alex Varella, que nos honrou com sua presença e leituras, uma seleção dos e-mails trocados durante o processo de realização da Revista-Disco, e como “Extras” um poema de Domenico Lancellotti inédito, que ele havia selecionado para gravar conosco, mas que depois acabou descartando.
Ouvido também lê.
***
Lucas Matos no lançamento da Revista-Disco “Bliss Não Tem Bis” 29/11/2013

Alex Varella no lançamento da Revista-Disco “Bliss Não Tem Bis” 29/11/2013

Thiago Gallego no lançamento da Revista-Disco “Bliss Não Tem Bis” 29/11/2013

Dimitri BR & Cristine Flores no lançamento da Revista-Disco “Bliss Não Tem Bis” 29/11/2013

Dia da inauguração do mundo (Alex Varella)
O olhar faz o olho
o olho faz o mundo
Hoje é dia da inauguração do mundo.
Nunca houve um tempo pré-existente ao olhar.
O olhar é o inaugural dos mundos.
*
Como gravar uma Revista-Disco?
De: Lucas Matos
Para: Ilana Linhales
Enviada: 15 de janeiro de 2013 14:59:24
Assunto:
Ilana!
Feliz 2013!
Tudo bem com você? Espero que tenha tido ótimos feriados e que tenha descansado bastante. 
Então, quero ver com você algumas coisas, relacionadas ao que tínhamos conversado na última vez que passei na coart para me reunir com você, enumerei por tópicos para ficar mais simples:
1. – Quanto à ideia de fazer a Revista-Disco de poesia “Bliss não tem BIS” (decidi chamar de revista-disco porque queremos que tenham elementos típicos do formato de ‘revista de poesia’ e disco porque é um nome mais bonito e combina mais com a palavra revista que ‘cd’), você tinha me dito que, a princípio, poderíamos usar o maquinário que a UERJ tem para gravar. Agora, em termos práticos, como isso funcionaria? Eu preciso fazer um projeto ou algo assim? Seria um apoio oferecido pela COART para a produção?
2. – Conversei com Clarissa e decidimos oferecer juntos a “Oficina de Criação Literária”. Precisaria ver com você: (a) o que eu preciso produzir? Ementa, apresentação do curso, programa? (b) em que espaço poderíamos fazer isso? O ideal seria um espaço com carteiras e/ou mesas e cadeiras (para que as pessoas tenham onde escrever)… Tem um espaço assim? Preciso ver também os horários possíveis para ver se eles batem com os que são possíveis para Clarissa.
É isso. Se você ainda estiver “de férias”, avisa quando pode responder só – se estiver checando o email, claro.
Um beijo e aguardo resposta.
Lucas.
De: Lucas Matos
Para: Ítalo Moriconi
Enviada: 28 de janeiro de 2013 18:07:26
Assunto: bliss não tem BIS
Ítalo,
oi, aqui é o Lucas Matos – como tinha mencionado naquele breve encontro fortuito que tivemos na Nossa Senhora de Copacabana, estou entrando em contato para falar da Revista-Disco de poesia que estamos produzindo, a “Bliss não tem BIS”.
A ideia é pensar: “como seria uma revista de poesia para os ouvidos?”; “o que é uma revista que antes de tudo se ouve?”. Para além (ou seria aquém?) das experimentações valiosas e válidas da poesia fonética/poesia sonora, o que poderia ser uma Revista-Disco, uma revista que se coloca para tocar.
Pensamos em você para fazer uma faixa dedicada à crítica. Como é uma faixa, esses cuidados, da extensão do texto no tempo, da sonoridade, precisam estar presentes.
Ao mesmo tempo, queríamos uma faixa que fosse justamente exercício de crítica, de pensamento crítico sobre a poesia.
Pensamos em algo como “3 problemas para a poesia contemporânea” como proposta inicial, ou como mote que você poderia usar no seu texto. Uma das coisas que discutimos, inclusive, é que o formato do texto poderia se aproximar, mais ou menos, do formato dos problemas de lógica e de matemática. Mas, na verdade, você pode e deve sentir-se livre para tomar nossas sugestões apenas como um pontapé inicial e seguir o rumo que achar melhor.
Se você topar, preciso que você, uma vez elaborado o texto, pense: (a) se quer dizer o texto você mesmo, ou seja, gravar sua voz; (b) se acha cabível a inserção de algum tipo de sonoridade que dialogue com a voz, e que sonoridade(s). Estamos trabalhando junto com profissionais de música, que podem nos ajudar na produção desse diálogo – voz e outros sons – se você achar necessário.
Lembramos também que você pode, se julgar a melhor opção, levar a cabo a ideia de um texto falado na hora da gravação, sem preparação prévia, como uma performance.
Aguardo uma resposta, e, assim que puder, uma sinalização de quando poderíamos gravar.
Em tempo: as gravações, a princípio, serão feitas nos estúdios do CTE na UERJ mesmo – a não ser quando a demanda sonora for maior do que o estúdio suporta.
Abaixo segue uma apresentação mais detalhada e justificada do projeto da Revista-Disco.
Um abração.
Lucas Matos.
De: Marília Garcia
Para: Lucas Matos
Enviada: 15 de fevereiro de 2013 00:10:24
Assunto: faixas
Oi Lucas, tudo bem?
acho que estou chegando nas duas “faixas” pra revista:
– a tradução seria este poema da Leslie Kaplan que faz uma brincadeira com a própria ideia de tradução. é um poema bilíngue, então na leitura pensei em fazer  uma brincadeira com inglês, francês e português. publiquei no meu blog uma versão da tradução (onde traduzia só o francês), mas tenho outra versão onde traduzo só o inglês. taí a primeira versão (com um textinho sobre a ideia do poema) http://lepaysnestpaslacarte.blogspot.com.br/search/label/leslie%20kaplan
não estou lembrando agora se conversamos sobre o texto ser inédito — na verdade ele não é inédito pois coloquei ali no blog mas meu blog tem tão poucos acessos — e posso tirar dali…me confirma se poderia ser este meio-inédito. e se puder, veja se gosta da ideia… tenho que pensar em como faria a faixa ainda.
– quanto ao poema, estou pensando neste aqui — o que vc acha? ele saiu em uma revista em portugal… ainda estou mexendo nele… e daria pra tentar ver com um amigo meu compositor (que aparece no poema) se ele toparia fazer algo… ainda tenho uns rascunhos de poemas novos, mas ainda são rascunhos, não sei se daria pra ficar pronto a tempo…. tenho que ter mais umas semaninhas aqui pra ver.
vamos falando, veja se acha que o texto cabe na revista, se vcs gostam etc.
beijos
marília
15 passos
nunca falei tão sério,
disse e olhei pra cima: seu rosto no
meio das gotas o guarda-chuva
(…)
Dimitri BR no lançamento da Revista-Disco “Bliss Não Tem Bis” 29/11/2013
De: Domenico Lancellotti
Para: Lucas Matos
Enviada: 13 de março e 2013 14:17:38
Assunto: Convite Participação Revista-Disco de Poesia “Bliss Não Tem Bis”
Lucas,
pensei em gravar só o primeiro texto, o de Ipanema.
Vou gravar hoje com o ifone momentos da cidade.
Acho que para o que vou fazer não preciso levar um técnico. Vc teria alguém de lá para operar? Será simples, gravo a voz, e a gente monta os arquivos de áudio por cima.
Vamos nos falar por tel! Não tenho seu número,

abs dom
De: Lucas Matos
Para: Changuito
Enviada: 02 de julho de 2013 19:11:17
Assunto: Datas gravação
Bom dia, Changuito,
então, estou passando uma série de datas para você ver se, em alguma delas, é possível chegar a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde fica o estúdio e com quem estamos gravando uma revista-disco de poesia) às 18h30m. Saindo de lá da Lapa, bastaria que você pegasse o metro na cinelândia e descesse na Estação Maracanã. O campus da UERJ é um grande prédio, cinza e um pouco feio, que fica logo ali ao lado do Maracanã.
08/07 – segunda-feira.
13/07 – sexta-feira.
15/07 – segunda-feira.
20/07 – sexta-feira.
Se não for possível, verei que tipo de aparelho conseguimos para gravar e o quanto ele nos pode servir, para ver se viabilizamos uma gravação por aí.
Abraços,
Lucas.

De: Changuito
Para: Lucas Matos
Enviada: 02 de julho de 2013 19:21:54
Assunto: Datas gravação
Olá, Lucas.
Espero que estejas bem.
Irei dia 8, que é o primeiro. Se a coisa correr mal, irei, de castigo, em todas as datas posteriores para gravar os hinos dos países centro-americanos.
Quantos poemas queres? Algum autor preferido?
Diz-me, depois, onde exactamente nos encontraremos.
Um abraço grato.
Changuito.
De: Nariá Assis
Para: Lucas Matos
Enviada: 09 de julho de 2013 00:34:47
Assunto: crítica
Oi Lucas,
Fiz essa versão da crítica, dá uma ouvida e me fala. Tive que colocar no Dropbox pois é pesada!
Estava lembrando de você falando que não gostava do áudio como algo isolado do que está sendo dito. Nesse caso, o áudio é como um colchão harmônico que está presente no espaço abstrato da fala. Enfim, sei lá.
Vamos nos falando,
Beijo. 
De: Lucas Matos
Para: Nariá Assis
Enviada: 09 de julho de 2013 00:36:35
Assunto: crítica
Oi, Nariá,
hm, a pasta ainda está vazia.
Veja se subiu o arquivo direitinho.
um beijo.
Lucas.
De: Nariá Assis
Para: Lucas Matos
Enviada: 09 de julho de 2013 00:37:48
Assunto: crítica
na verdade, eu não sei usar direito isso, eu coloquei na pasta e botei “share”, não é suficiente?

De: Lucas Matos
Para: Ítalo Moriconi
Enviada: 08 de agosto de 2013 20:35:05
Assunto: ajuda
Ítalo,
preciso da sua ajuda quanto a uma questão de direitos autorais. Tem a ver com a Revista-Disco.
Eu queria saber sobre o que uma editora tem direitos com relação aos poemas de um livro.
Explico: alguns dos poetas (Angélica, Antonio Cicero, Ricardo Aleixo) optaram por gravar poemas já publicados em livro.
Para nós, não havia diferença, uma vez que esteticamente o objeto é diferente, então não importava se o poema em si não fosse ~inédito~ mas a gravação, sim.
Todavia, queria saber se você entende qual a compreensão legal da questão.
Seria necessário conseguirmos autorizações das editoras para tal?
O direito delas é sobre publicação/impressão, ou qualquer forma de difusão do texto?
Se você puder me dar uma resposta assim que possível, eu agradeceria muito.
Abração.
Lucas.
De: Ítalo Moriconi
Para: Lucas Matos
Enviada: 08 de agosto de 2013 20:38:25
Assunto: ajuda
Lucas, você precisa da autorização da editora original caso no contrato que ela tenha feito com o autor conste que qualquer reprodução em outro meio precise ser autorizada por ela. Normalmente, este tipo de cláusula consta sim dos contratos.
De: Thiago Gallego
Para: Lucas Matos
Enviada: 04 de setembro de 2013 00:56:06
Assunto: la revista y el disco cuando los dos son lo mismo
KOEEEE!
Seguem as transições entre faixas que eu sugeriria modificar OU que você desse uma segunda ouvida. No geral pouca coisa me saltou ao ouvido.
LADO A:
3 (Krill) para 4 (Poeta Marginal) –  Acho que um pouquinho mais de tempo pra dar uma respirada, hein?
5 para 6 (Margens) – Achei rápido demais.
9 (Angélica) para 10 (Dimitri) para 11 (Massa) – por motivos óbvios, não sei
12 para 13 (PS) – Rápido demais demais.
Acho que do PS pra vinheta não funciona muito. Ainda sugeriria deixar a vinheta maior. No estilo: (tempo…) “Fim do lado A, favor não virar o disco” (Tempo…) “Agora vou ler outro, né?”
LADO B:
Não sei se fiquei menos exigente, mas identifiquei nada.
Não sei se você já fez isso desde aquele dia, MAS Sugeriria pôr o disco na ordem e ouvir todo. Pode nem ser em casa, o ônibus é ótimo, ótimo pra isso. Tanto pra ver se fica satisfeito mesmo com a forma como ordenamos quanto pra pensar esses intervalos. Dei essa olhada, mas não sei ser muito criterioso quanto. No geral, as faixas passam rápido uma pra outra.
Ouvindo de bobs por aí, não me incomodou, mas dando rápida olhadela em alguns CDs de música aqui – o que genialmente só fiz agora, depois de anotar tudo -, percebo uma constante no seguinte sentido:
Em geral as faixas começam a tocar logo de cara, poucas chegam a 1s de espera. Também em geral, no máximo a partir últimos 10 segundos começa o fade e nos 5 finais tá tão suave que quase não se ouve som.
Então, talvez esteja tranquilo pra nós que ouvimos as faixas de cabo a rabo e sabemos quando começa uma e termina outra, mas seja interessante deixar padrão um tempo aumentado no final. Posso verificar faixa a faixa, se quiser. Só n tenho como fazer isso agora e não sei tb se é uma questão de ajeitar na mixagem (possível que seja, né?).
Abraçaço
do Gallego.
Thiago Gallego no lançamento da Revista-Disco “Bliss Não Tem Bis” 29/11/2013
Como trazer Angélica Freitas para o Rio de Janeiro para participar de um encontro de poesia, gravar uma faixa para uma revista-disco, enfrentar gás lacrimogêneo, etc? ou mais simplesmente, como ter motivos para se sentir feliz?
De: Lucas Matos
Para: Angélica Freitas
Enviada: 11 de janeiro de 2013 18:07:13
Assunto: encontro de poesia
Angélica, oi,

aqui é o Lucas Matos, do Rio de Janeiro, que co-editou a revista Bliss.

Tudo bem?
Estou mandando esse email pelo seguinte (vou enumerar, porque às vezes assim fica mais fácil):
1- Eu e Clarissa Freitas estamos organizando uma série de encontros lá na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) chamados “Bliss não tem BIS”. Fizemos o primeiro em novembro do ano passado – tem até uns dois álbuns no meu facebook com fotos, se você quiser dar uma olhada. Estamos planejando o segundo para o primeiro semestre do ano que vem. E gostaríamos muito se você pudesse participar – vamos chamar a Marília também. Se você puder e topar, eu teria como cuidar dos gastos de passagem. Mas não muito mais que isso, que não temos recurso. Se precisar de um lugar para ficar enquanto estiver aqui pelo Rio, também arranjo um espaço aqui em casa. A ideia inicial é fazer em meados de Maio. Mas podemos mudar para Junho ou Abril. Como a data ainda não está definida, podemos acertar a agenda com algum conforto. Sei que ainda falta muito para isso, mas estamos começando a preparar tudo um pouco adiantados. Até por causa do que vem no item 2.
2- Estamos começando a pensar (e organizar) a edição de uma revista-disco de poesia, ou seja uma revista de poesia só com áudio. E seria interessante se pudéssemos contar com uma faixa-poesia sua. Daí, se tudo correr como pensamos até agora, a gente marca a sua gravação para quando você estiver aqui para o encontro.
Por hoje, é só.
Um beijo e FELIZ 2013!!
Lucas.
De: Angélica Freitas
Para: Lucas Matos
Enviada: 14 de janeiro de 2013 15:24:05
Assunto: encontro de poesia
oi, querido! tudo bem com vocês? espero que sim!
desculpa a demora em responder, tô fora de casa e sem computador.
a princípio, sim, adoraria participar do bliss não tem bis!
vocês sabem mais ou menos em que data seria (aí por 15 de maio?).
este ano devo fazer algumas viagens, mas acho que só vou conseguir defini-las em março.
até quando posso responder ao teu convite?
Muito obrigada 
um beijo da bahia,
angélica
De: Lucas Matos
Para: Angélica Freitas
Enviada: 15 de março de 2013 11:24:28
Assunto: Revista-Disco “Bliss Não Tem Bis”
Angie,
Então, como prometido, lá vai o detalhamento da ideia da Revista-Disco.

Como acho que você sabe, a partir do ano passado, começamos – eu e a Clarissa Freitas aqui no Rio, o Marcio ainda ajudou a fazer agora recentemente uma edição na Bahia – a organizar esses encontro de poesia, e a pensar em coisas como ‘como funciona a apresentação do poema, que é diferente do poema na página?’, modos de dizer um poema e tal. Isso, de fato, me empolgou, e eu propus a gente tentar fazer uma coisa nova: uma Revista-Disco.
A ideia é pensar: “como seria uma revista de poesia para os ouvidos?”; “o que é uma revista que antes de tudo se ouve?”. Para além (ou seria aquém?) das experimentações valiosas e válidas da poesia fonética/poesia sonora, o que poderia ser uma Revista-Disco, uma revista que se coloca para tocar?
Daí, estamos trabalhando com dois eixos: um, que pensa as seções e espaços comuns a qualquer revista de poesia (tradução, crítica, poemas de poetas novos, poemas de poetas já estabelecidos, entrevista, etc.); outro, que trabalha as diferentes sonoridades que podem ser exploradas, desde a fala até a canção, passando por exploração de sons ambientes e ruídos captados, até inserções de programações eletrônicas, coisas assim.
Como disse no outro email, a ideia é que você participasse como uma colaboradora com material poético novo. E aqui, pode ser, de fato, um poema (ou mais de um) inédito, ou um poema já publicado, mas que é retrabalhado tendo em vista a mudança de meio. Originalmente, eu pensei que talvez você quisesse ter só a sua voz e tal, mas sinta-se livre para pensar no que quer e no que acha melhor, se quer trabalhar com algum tipo de inserção sonora, musical, etc.
O estúdio que a gente tem disponível com mais facilidade é um estúdio do CTE da UERJ, que dá apoio através da COART, feito originalmente para uma rádio da web (para alunos de comunicação). Então, o aquário de lá tem umas limitações físicas. Dependendo do que você quiser, a gente pode fazer lá ou buscar outro estúdio.
Daí, abaixo do corpo do email, estou mandando um texto que fizemos para apresentar o projeto.
É isso. Espero que você goste da ideia. (A Marilia está pensando coisas superlegais para a tradução, e vai fazer uma faixa dela também, e se tudo der certo, estará conosco no dia do encontro… na verdade, começamos a gravar a Revista-Disco ontem, com outro dos colaboradores, e foi muito legal. Ainda vi, quando cheguei em casa que, por acaso, era tipo dia da poesia. Fiquei achando uma boa coincidência ter começado a gravar nessa data).
Um beijo.
Lucas.
Em 2009, nós, os poetas Clarissa Freitas, Lucas Matos & Marcio Junqueira, editamos, com a 7Letras, uma revista de poesia de número único, a Bliss – que contou com colaborações de Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Antonio Cicero, Carlito Azevedo, Nathalie Quintaine, Marilia Garcia, Paulinho Moska, dentre outros. Naquele momento, interessava-nos partir da ideia do êxtase como detonadora de uma percepção poética da/na linguagem e das/nas experiências do mundo. Pela especificidade do que buscávamos então, sempre pareceu que fazer uma série de revistas Bliss soava como o reverso dos nossos propósitos.
Desde novembro do ano passados, todavia, quando nos vimos encarregados de promover uma série de encontros de poesia, junto à COART na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a dimensão sonora – em sua materialidade simultaneamente simples e rica de possibilidades de elaboração – apareceu como um campo fértil para a investigação estética que pretendemos. Dessa forma, surgiu o projeto de uma Revista-Disco de poesia, a Bliss não tem BIS – uma co-produção entre nós e a COART/UERJ.
A fisicalidade da palavra falada/cantada possibilita tanto a quem diz/canta o poema quanto a quem o ouve um modo de percepção que é o de uma ação sobre o corpo, de uma demanda de trabalho no/do corpo para se pôr num estado de atenção que não é nem o da fruição acrítica nem o da interpretação intelectiva pura. O corpo sai do seu estado cotidiano e ganha os modos e os contornos de uma ação de escuta.
O ouvinte/leitor brasileiro conhece um amplo repertório no que diz respeito à poesia cantada (concebida ou não no formato de canção), e sabemos das diversas incursões que, influenciadas por práticas de vanguardas dos anos 20 e dos anos pós-Guerras do século passado, exploraram o campo da poesia fonética/poesia sonora no Brasil. Até onde compreendemos, porém, é a primeira vez que se propõe a edição de uma Revista-Disco, isto é, a edição de uma revista de poesia que se ofereça direta e primeiramente aos ouvidos.
Esperamos, assim, cavar, descobrir, formular novos modos de ler/ouvir e pensar o universo poético, em que possam se combinar e arranjar a percepção da palavra ao trabalho da voz, a escuta da ideia ao grão do som.
Clarissa Freitas & Marcio Junqueira no lançamento da Revista-Disco “Bliss Não Tem Bis” 29/11/2013
De: Lucas Matos
Para: Angélica Freitas
Enviada: 25 de maio de 2013 00:23:08
Assunto: passagem de avião
angie, oi!

então, na verdade, vou comprar a passagem enquanto vejo se há alguma condição da universidade me ressarcir com pelo menos parte da despesa. mas não se preocupa com isso. o que importa para mim e para clarissa é que o evento aconteça e tal. a gente se dá suporte um ao outro no que quer que for necessário.
ok, só, por favor, confirma para mim até segunda o seguinte:
– não tem viagem pelotas-rj, certo? eu devo comprar passagem porto alegre-rio, rio-porto alegre, é isso?
– a data da volta. pode ser na outra segunda? o dia é 24/06.
– poderíamos gravar um poema seu em áudio para a revista-disco ‘Bliss não tem bis’ no dia seguinte ao evento, na quarta, 19/06 às 18h?
acho que é isso.
hm, por falar em marilia ( :) ), encontrei com ela ontem, e ela me disse que um amigo dela que organiza encontros sobre livros de poesia na livraria da travessa queria saber se você topava nessa mesma semana participar disso. hm, ok, não sei se estou explicando direito, mas confere com ela que papo é esse.
um bj.
lucas.
De: Angélica Freitas
Para: Lucas Matos
Enviada: 26 de maio de 2013 15:23:15
Assunto: passagem de avião
oi, lucas, tudo bem?

a volta pode ser na segunda, sim, sem problemas, qq coisa eu troco a passagem, n se preocupe.
tem voos pelotas-porto alegre-rio, mas são caríssimos. eu vou até poa de bus, sem problemas. mesmo.
podemos gravar o poema dia 19, sim!
e vou falar com a marilinha!
beijos do hellcife,
angie
De: Angélica Freitas
Para: Lucas Matos
Enviada: 14 de junho de 2013 15:59:48
Assunto: só pra dizer que
tô muito feliz com a ideia de ir praí. <3
um beijo,
a.
Lançamento da Revista-Disco “Bliss Não Tem Bis” 29/11/2013
Como fazer um encarte?
De: Lucas Matos
Para: Marcio Junqueira
Enviada: 03 de setembro de 2013 19:13:54
Assunto: Encarta/encarte
Marcio,

te encaminho a primeira ideia da Valeska para o encarte.
Ela usou seus desenhos do voilà mon coeur, porque não havia ainda esses novos, mas vou remetê-los, junto com uma série de observações e de pedido de alterações.
Peço que você ajude a gente no que puder, sugerindo que mudanças achar necessárias.
Até agora, algumas coisas que eu penso:
1. Quanto ao tipo, eu realmente acredito que precisamos de uma solução viável e prática, e que a caligrafia que você tinha sugerido seria complexo de conseguir. Sem falar que estamos tentando, por motivos de custo, manter o número de páginas abaixo de trinta e pouquinhos, para que o material possa ser feito com grampo (na verdade, nem é só por motivos de custos, mas também porque é assim que é a maioria dos encartes).
2. Eu acho, entretanto, que essa capa precisa mudar – não só os desenhos, mas receber alguma cor quem sabe. Por enquanto, acho que falta algo.
3. A princípio, gosto disso que ela colocou mais de uma coluna em algumas páginas. Mas penso que, no caso do seu poema, em especial, isso fica confuso e não funciona. Embora vá fazer aumentar o número de páginas, penso em pedir para no seu poema serem páginas de uma coluna só.
4. Note que fizemos uma divisão lado a/lado b. Que me parece absolutamente funcional porque (a) o cd está muito grande, e é bacana propor possibilidades auditivas e de organização/leitura que ajudem ele a não ficar impraticável, (b) me parece fazer bastante sentido dentro do pensamento sobre a estrutura de um disco. acho que o disco que o arnaldo tá fazendo também passa por algo assim, se não uma divisão explícita, pelo menos um esqueleto de algum modo semelhante.
enfim, por enquanto, é isso. estou passando esse email porque você disse que queria participar do encarte.
mais tarde, te envio a resposta mais detalhada do seu outro email, sobre calendário de blog e todas as demais questões.
estou cheio de trabalho, como você deve estar também. estou tendo que correr atrás sozinho de autorização de todo mundo, e ainda vou ter que comprar a briga de “faço questão de vender exemplares”. enfim, tem sido complexo. e eu acho difícil dar conta de todas essas questões.
se você puder ajudar com o encarte, agradeço infinitamente. só peço mesmo que a gente procure ser objetivo e prático, para não ficarmos à deriva.
Abração, muito obrigado. e vamos nessa.
Lucas.
De: Marcio Junqueira
Para: Lucas Matos
Enviada: 4 de setembro de 2013 05:36:31
Assunto: Encarta/encarte
luc,

pensei em sugestões dentro dessa estrutura mesmo que a valeska fez. adorei a fonte. minha sugestão é botar a vitrola no lugar do menino. peça para ela fazer uma versão em negativo tb (o fundo preto e as letras e o desenho em branco), pode ser que fique legal. pensei os desenhos como pausas ou pequenos comentários no encarte. 
1) o desenho de um microfone com um filtro (ele está na parte superior do menino com headfones) viria na página 2 (à direita) junto ao anibal cristobo e o antonio cicero. 
2) na página 9 (esquerda) viria o menino com o headfones (página inteira) à direita viria o poema do luca argel 
3) na página dos créditos (à direita) viria o desenho do circuito. acho que ficaria bonito a pagina inteira. à esquera viriam os créditos. vc acha que  consegue colocar agradecimentos e parte técnica numa página?
  
4) na 4 capa eu imaginei o microfone grande (de estúdio)  (inverter ele para o lado esquerdo) + nomes dos poetas envolvidos no projeto. cabem todos?
eu sugeria que todas as páginas com desenhos fossem em negativo. acho que criava uma variação visual divertida. mesmo a página ( como a página 2) em que o desenho é só um detalhe junto aos poemas, eu acho que essa página também devia vir em negativo. 
eu gosto do uso do preto e branco. 
no meu poema tem um trecho que está no encarte que é uma sobra que foi no arquivo. ele acaba em “passei muito tempo assim”. o que vem depois pode tirar, por favor.  na verdade todas as marcações no meu texto em vermelho eram para serem retiradas. junto com esse e-mail te mando uma versão corrigida para o encarte. alinhe ele todo. aquelas divisões em duas colunas que eu fiz no encarte não funciona. fica confuso. no começo principalmente. pode colocar ele como se fosse uma narração corrida, sem espaçamentos. 
gostei da ideia de lado a / lado b. a vinheta do cicero foi uma sacação incrível. como não ouvi todas as faixas não consigo especular com muita clareza sobre os dois lados. o b seria mais musical? o jogo da marília e do leo no encarte ficou perfeito.
fiquei feliz. o disco vai ficar lindo. parabéns!   
força aí nos trabalhos. eu tô fodido de coisas também. precisando de ajuda pede um help.
é isso
m.
De: Valeska de Aguirre
Para: Lucas Matos
Enviada: 5 de outubro de 2013 14:42:56
Assunto: gráfica
oi, Lucas,

acho que as páginas todas pretas pode ficar muito pesado. Acho que a ideia de usar o preto só nas páginas com imagens é boa. 
Aquela gráfica que fomos enviou o orçamento sim, mas ficou caríssimo (te encaminho o email). No mesmo dia liguei para a outra que conhecia (na Gamboa), mas eles fazem só o acabamento e o Paulo (o dono) me passou o tel. do vizinho que imprime. Já liguei e pedi o orçamento mas ele ainda retornou. Na segunda ligo de novo.
Acho que só consigo mexer no encarte novamente na terça, pois estou ferrada num trabalho que preciso entregar na segunda que não acaba nunca.
beijos
Valeska
De: Valeska de Aguirre
Para: Lucas Matos
Enviada: 14 de outubro de 2013 16:46:00
Assunto: Novo arranjo de cores + Stamppa
oi, Lucas,
segue o pdf com aquele arranjo de que falamos.
Resolvi pedir o orçamento em uma gráfica que trabalhávamos na 7Letras, e que agora trabalha com digital também. Assim podemos ver se o preço de fato aumentou muito em todo lugar ou se essas duas é que estão acima do mercado. Acho que vale a pena esperar por essa, inclusive, se for o mesmo valor, é uma gráfica ótima, que eu ainda não tinha cogitado por achar que seria muito mais cara, mas em função do valor das outras, acho que vale a pena vermos na Stamppa.

beijos
valeska

De: Lucas Matos
Para: Clarissa Freitas
Enviada: 16 de outubro de 2013 03:19:45
Assunto: Novo arranjo de cores + Stamppa
Clarissa baby,

segue o arquivo final com o encarte.
As especificações para pedir orçamento na gráfica são:
100/300/500 exemplares.
32 p.
120mm x 120 mm.
offset 90g OU collor plus 85 g
miolo 1×1 (esquema de cores)
capa 4×4 (esquema de cores)
Outra coisa que eu queria ver com você, e é um pouco urgente: tem como pensarmos para a semana que vem a postagem no blog com a antologia surrealista dos poemas traduzidos pelo Luis? O calendário do blog foi feito com a data de lançamento da revista-disco em 01/11, estou dando o jeito de adiantar as coisas, mas há certas questões que não podem ser tão facilmente adiantadas. Também o Fabiano Calixto topou participar com uma postagem, mas quer mandar traduções inéditas do Ginsberg e fazer uma coisa supercuidada, e não tem condições de fazer isso este ano.
Enfim, mil questões – e seria de grande grande ajuda se pudéssemos semana que vem agendar essa questão da poesia surrealista. Se vc tiver questões práticas que dificultem (sei lá, o material está no rio, e vc vai ficar sem tempo), peço que considere a possibilidade (menos ideal, só porque seria legal vc planejar a parada) de me passar o material na segunda, e eu fazer a seleção.
Se nada disso te parecer certo, mas você tiver uma outra sugestão concreta e factível para uma postagem, faz que eu vou achar lindo. :)
É isso. Aguardo retorno.
Um beijo, um abraço, toda a sorte do mundo na sua empreitada logística (sacou o trocadillo??? rs, eu idiota…).
Lucas.
***
Prezado(s) senhor(es),
Conforme solicitado, encaminhamos abaixo nossa Proposta Comercial:
Quantidade Descrição Unitário Valor Total
100                                                                804,00
300                                                                1.188,00
500                                                                1.645,00
Folheto IMPRESSAO DIGITAL – FOLHETO PARA CD C/ 28
PAGS + CAPA, Form.Aberto 240 x 120 mm, Form.Fechado
120 x 120 mm, Capa , formato 242 x 120 mm em Off-Set 90
g/m2, 4×4 cores, Miolo 28 págs. em Off-Set 90 g/m2, 1×1
cores, Dobrado, Grampo Canoa, Corte Simples – Cálculo
134.753 (5% ISS incluso)
Cond. Pagto: 28 DDL Validade: 10 dias
Representante: ISABELLA – 7843-4050 Imposto: ISS INCLUSO
Programação Entrega: a combinar Obs.:
Na APROVAÇÃO DO SERVIÇO solicitamos que nos seja enviado junto com a proposta aprovada DADOS para
FATURAMENTO, E-MAIL PARA ENVIO NOTA FISCAL e LOCAL DE ENTREGA do material e das provas.
A DATA DE ENTREGA estará vinculada a data de liberação das provas.
A Grafica Stamppa reserva o direito de conferir o orçamento aprovado com os arquivos enviados e caso haja alguma divergência, será enviado novo orçamento.
A tiragem poderá variar em 5% para mais ou para menos do total,· sendo esta variação repassada para o faturamento.
PRE-IMPRESSÃO: O cliente deverá fornecer arquivos fechados (PDF).
O custo da 2º PROVA (em alta e heliográfica) em diante será por conta do cliente. O valor de cada prova heliográfica no formato 210 x 297 mm é de R$ 2,00.
Agradecemos o contato e aguardamos a aprovação do seu pedido para darmos continuidade aos processos de
produção.
De Acordo: _____________________________________________________ Data: ________ / ________ /
________.
Rio de Janeiro, 16 de outubro de 2013 Proposta nº 56.173
continua…
…continuação
Rio de Janeiro, 16 de outubro de 2013 Proposta nº 56.173
GRAFICA EDITORA STAMPPA LTDA.

Lucas Matos no lançamento da Revista-Disco “Bliss Não Tem Bis” 29/11/2013
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Extras
Poema inédito de Domenico Lancellotti
A cama dos pais tem uma índole boa
A cama dos pais tem um cheiro bom
Que é saliva, creme, arnica, leite de rosas, sêmem
A cama dos pais tem um pó das gatas
Caspa, um longo fio de cabelo, cílios entre dois planetas
Tem um travesseiro longo que se espraia
Tem uma mordida de pulga
A cama dos pais tem um desejo de acordar ao meio-dia
Eu quando acho um pé, eu agarro
A cama dos pais está voltada para o futuro
A cama dos pais tem um chafariz que é ligado nos dias de festa
A cama dos pais é confortabilíssima
E está no meio de tudo
A cama dos pais também tem um lado turvo, que às vezes não esquenta
A cama dos pais tem um buraco no meio
Seu triângulo das bermudas, um Rinoceronte e um Rinosoro
A cama dos pais pode ter sonhos violentos
Tem uma fonte de luz na cama dos pais
Da cama dos pais a alvorada vem chegando em fade in
***


Bliss não tem bis, Correspondência, Poesia contemporânea, Revista-Disco