A gaia ciência, a grande ciência. Quantas ciências para tantas Lauries Andersons?
9 de julho de 2013

Laurie Anderson é uma artista nascida nos EUA, que, desde os anos 70, tem trabalhado com performances e formas de arte diversas, que incluem a criação de instrumentos (em especial, diferentes espécies de violinos), instalações, objetos esculturais interativos, além de discos de canções e de palavra falada.Mais comumente, ela se define como uma “contadora de histórias” – apresentando a partir da utilização de vídeos e de formas tecnológicas variadas um modo de contar história que sempre reflete sobre o que acontece – em termos físicos, também talvez, mas fundamentalmente do ponto de vista antropológico – quando estamos contando algo, ou ainda, que gesto é esse, que usamos cotidianamente para falar quem somos, e para agir, intervir no mundo. Roselee Goldberg, no seu Arte da performance: do futuro ao presente, destaca o trabalho da artista, em dois momentos – num primeiro, no início dos anos 70, pela relação estabelecida entre performance e autobiografia (como, por exemplo, na peça em que ela tocava violino sobre patins grudados em blocos de gelo e que se relacionavam com uma história acerca do dia em que sua avó morrera), e depois, nos anos 80, por ter se tornado, a partir da gravação do disco Big Science (título aqui traduzido como Grande Ciência), uma artista multimídia reconhecida mundialmente. O disco se transformou depois na segunda parte (antecedendo em criação a primeira parte, entretanto) de uma performance multimídia que durava oito horas e que era intitulada Estados Unidos I-IV (Transporte, Política, Dinheiro, Amor). Em 2007, quando do lançamento de uma versão remasterizada do disco, ela escreveu:
“a produtora Roma Baran me convenceu a gravar a canção O Superman (aqui traduzida por Ó Super-Homem) com o argumento de que obras de arte eram elitistas e caras. Discos eram baratos! Todo mundo poderia ter a mesma obra por quase nada. Ela tinha sacado qual era a minha. (…) Nós fizemos 1.000 cópias de um single de Ó Super-Homem, com Walk the Dog (aqui traduzida por Passear com o cão) no lado B, com uma gravadora pequena, One Ten Records, comandada pelo meu amigo Bob George. A ideia era vender cópias por encomendas pelo correio.
“As vendas seguiram bem lentamente até um dia, quando eu recebi uma ligação de Londres. Eles queriam 40.000 cópias até aquela sexta-feira, e outras 40.000 na semana seguinte. O DJ John Peel estava tocando o disco e ele escalava as listas dos mais vendidos britânicas. Foi quando eu liguei para a Warner Bros. e perguntei se eles podiam ‘me ajudar a fazer cópias’. Eles disseram que não faziam esse tipo de coisa, mas que gostariam de negociar um contrato de oito discos reservando todos os direitos ‘perpetuamente pelo universo afora’, era o que constava no acordo deles. Trincando os dentes e incerta se aquilo seria um grande erro ou não, eu topei.
“Entre o lançamento do single e o do LP, eu tinha me tornado uma pop star na Europa, especialmente no Reino Unido. Do nada saíram os estilistas, as limusines, os jornalistas ansiosos sem fôlego. Sabendo que tudo isso provavelmente iria desaparecer tão rapidamente quanto tinha chegado, eu tentei manter meu papel como uma antropóloga cultural. Eu nunca vou ter certeza mesmo se consegui fazer isso de modo bem-sucedido ou não”.
Apesar de ter colaborado com artistas brasileiros, em especial na gravação da faixa Enquanto isso (parceria entre Marisa Monte e Nando Reis) no disco Cor de rosa e carvão de Marisa Monte, e de ter feito performances no Brasil, a mais recente quando de sua exposição I IN YOU no Centro Cultural Banco do Brasil em 2011, ainda não contamos com uma tradução cuidada da sua obra em língua portuguesa e que contemple a diversidade e a multiplicidade dos seus textos.
Apresentamos aqui uma primeira tradução – assinada por Lucas Matos – minimamente comentada das peças que se encontram no álbum Grande Ciência, acrescidas de Passear com o cão, o lado B do single Ó Super-Homem. Além disso, incluímos uma tradução de uma entrevista da artista dada nos anos 2000 para a rádio Silicon Valley. Ao longo da semana, postaremos mais entrevistas e outras traduções de seus textos.
Para nós, o mais divertido é ouvir como podem soar diferentemente as histórias de Laurie nas nossas vozes, e a nossa língua nas histórias que ela conta e em seu jeito tão peculiar de pensá-las.
***
Pelos ares
Boa noite. Aqui fala o seu Capitão.
Nós estamos prestes a tentar um pouso forçado.
Por favor, apaguem seus cigarros.
Coloquem as mesas na
Posição vertical, trancadas.
O seu Capitão diz: Bota a cabeça nos joelhos.
O seu Capitão diz: Bota a cabeça nas mãos.
O Capitão diz: Bota as mãos na cabeça.
Bota as mãos nos quadris. Ha, ha.
Aqui fala seu Capitão – e nós vamos cair de cabeça.
Nós vamos cair de boca, juntos.
E eu disse: oh-oh. Vai ser um dia e tanto.
Atenção. Aqui está o tempo.
E aqui está o registro do tempo.
Aqui está o tempo. E aqui está o registro do tempo.
Hã. Aqui fala o seu Capitão de novo.
Quer saber, eu tenho a sensação engraçada de que já vi isso tudo antes.
Por quê? É que eu sou um homem-primata.
Por quê? É que eu tenho olhos nas costas.
Por quê? É o calor. Atenção.
Aqui está o tempo. E aqui está o registro do tempo.
Aqui está o tempo. E aqui está o registro do tempo.
Bota as mãos sobre os olhos. Pula do avião.
Não há piloto. Você não está sozinho. Atenção.
Aqui está o tempo. E aqui está o registro do tempo.
Aqui está o tempo. E aqui está o registro do tempo.
 (Notas: 1– O título From the air talvez seja apenas insuficientemente traduzido como Pelos ares, mas a escolha se faz necessária por uma vontade de enfatizar, a partir de um imaginário preenchido pelo universo da canção brasileira, certos temas possíveis de diálogo – processo semelhante se deu na escolha do verbo ‘Botar’ ao invés de ‘Pôr’, bem como de ‘homem-primata’ no lugar de ‘homem das cavernas’.
2– Cheguei a idealizar uma tradução ao vivo, em que a faixa tocasse e eu dissesse os versos em português numa espécie de duplo da tradução simultânea, mas com um final traidor, em que a repetição seria substituída por uma citação de versos de um poema de Angélica Freitas: “Não há piloto. Você não está sozinho. Atenção./ Senhoras intactas, afrouxem os cintos./ Que o chão é lindo. & já vem vindo./ One./ Two./ Three”. A performance-tradução, entretanto, ainda permanece inédita).
*
Grande Ciência (Big Science)
Cu-co! é a cuca lá fora. Cu-co! é a cuca lá fora.
Uuuh, cu-co! não esqueça as luvas.
Ei, amigo! Como eu chego no centro daqui?
E ele disse: bem, é só entrar à direita ali
onde vão construir o novo shopping,
vai toda vida por onde vão pôr a via expressa,
e segue direto até chegar ao lugar onde
estão pensando em construir o banco express.
Não tem erro. E eu disse: este deve ser o lugar.
Cu-co! Cu-co! Cidades de ouro. Capitais de ouro.
Cidades de ouro. Capitais de ouro.
E carros longos em filas longas e grandes anúncios
e todos eles dizem: Aleluia. Iorelei-hi-hu.
Cada um por si. Uuuh cu-co.
Cidades de ouro. Capitais de ouro. Obrigado pelo passeio.
Grande Ciência. Aleluia. Grande Ciência. Iorelei-hi-hu.
Sabe, eu acho que devíamos pôr umas montanhas aqui.
Senão as personagens vão cair de onde?
E que tal escadas? Iorelei-hi-hu. Uuuh cu-co.
Aqui está um homem que leva uma vida com perigo.
E onde quer que ele vá, ele continua – o esquisito.
‘Tarde, esquisito. Liga se eu fumar? E ele disse:
Cada um, cada um por si.
Cada um, cada um por si.
Todos de acordo digam sim.
Grande Ciência. Aleluia. Grande Ciência. Iorelei-hi-hu.
Ei, professor! Você pode apagar as luzes?
Vamos rodar o filme.
Grande Ciência. Aleluia.
Cada um, cada um por si.
Grande Ciência. Aleluia. Iorelei-hi-hu.
(Notas: 1– Até onde pude apurar, numa primeira sondagem ainda superficial, não encontrei tradução para ‘Big Science’ em português. O termo, utilizado por cientistas e historiadores da ciência, designa as transformações ocorridas no campo da pesquisa científica em nações com projetos de grande desenvolvimento científico-tecnológico a partir do final da 2ª Guerra Mundial. De um modo geral, avolumam-se projetos de larga escala (em especial, nas áreas das denominadas hard sciences – fundamentalmente, áreas da Física e da Astronomia, mas também Genética, e certos ramos da Ecologia, e da Medicina, ou da Biomedicina) com demanda de grandes quantidades de dinheiro, providas por governos nacionais ou grupos de governos. A descrição do que seja ‘Big Science’ (que encontra as seguintes traduções possíveis em espanhol ‘Megaciencia’, ‘Turbociencia’, ‘Ciencia a gran escala’, ‘Ciencia mayor’, ou simplesmente, ‘Ciencia grande’) inclui comumente a apresentação de uma ou mais das seguintes características: grandes orçamentos; equipes numerosas; grandes máquinas; grandes corporações de laboratórios. A cunhagem do termo é atribuída a Alvin Weinberg, físico nuclear norte-americano, que administrou o Laboratório Nacional de Oak Ridge, e que lançou uma série de livros acerca da Era Nuclear e das novas formas de se fazer ciência. Não consegui encontrar menção a nenhuma tradução de seus livros para o português numa apuração inicial. Indico a leitura do artigo As relações entre ciência, Estado e sociedade: um domínio de visibilidade para as questões da informação, de autoria de Maria Nélida González de Gómez, disponível em http://www.scielo.br/pdf/ci/v32n1/15974.pdf, para um primeiro panorama sobre o tema. Talvez a opção por ‘Ciência Grande’ fosse preferida por cientistas que procurassem uma maior ‘objetividade’, todavia, me pareceu que cabia mais claramente nas alternâncias de ‘Big Science’ para ‘Hallelujah’ e depois para ‘Yodellayheehoo’ a colocação do adjetivo na frente, dando uma espécie de nobreza, ou sacralização maior para a Grande Ciência.
2– O primeiro verso ‘Coo coo it’s cold outside’ obriga o tradutor a uma opção. Da onomatopeia de uma ave, Laurie tira a frase que literalmente diz “Faz frio lá fora”. O tradutor, nesse caso, ou mantém o significado, ou busca reproduzir a relação sonora entre os termos, uma vez que muito dificilmente se conseguiria reproduzir tal jogo em português, já que a palavra ‘frio’ não lembra nenhuma onomatopeia de pássaro que nos seja comum. Cheguei a cogitar as opções ‘piu-piu’, ou mesmo ‘fiu-fiu’ (mas aqui já não ouviríamos um pássaro assobiando), e nenhuma parecia ter um aproveitamento sonoro satisfatório. A opção feita foi por tirar o frio, e tentar fazer um novo jogo, aproximado sonoramente do original. A palavra cucaem português brasileiro tem pelo menos dois significados: (a) trata-se de personagem lendário que assombra o universo infantil; (b) é outro nome para mente, cabeça, de uso significativamente coloquial. Se o cenário abre margem para uma ambiguidade de sentido, ficando menos claro – e deixando a interpretação do verso ‘não esqueça as luvas’ mais complexa – mantém-se a relação entre onomatopeia e nome do que pode estar lá fora, e se reintroduz a questão do tempo e da temporalidade que parece marcar toda a composição e o próprio disco de um modo geral).
*
Casacos
Eu não amo mais sua boca.
Eu não mais seus olhos.
Eu não amo mais seus olhos.
Eu não amo mais a cor dos seus casacos.
Eu não amo mais nada.
Eu não amo mais a cor dos seus casacos.
Eu não amo mais seu jeito de segurar lápis e canetas.
Eu não amo mais nada.
Sua boca. Seus olhos.
Seu jeito de segurar lápis e canetas.
Eu não amo mais nada. Eu não amo mais nada.
*
Caminhando caindo
Eu quis você. E eu procurava por você.
Mas eu não pude encontrar.
Eu quis você. E eu procurava por você o dia todo.
Mas eu não pude encontrar. Eu não pude encontrar.
Você está caminhando. E você nem sempre percebe,
mas você sempre cai.
A cada passo, você cai um pouco adiante.
Então se segura pra não cair.
De novo e de novo, você cai.
Então se segura pra não cair.
Assim você está caminhando e caindo ao mesmo tempo.
*
Nascer, nunca pedir
Era uma sala ampla. Cheia de gente. Todos os tipos.
E eles tinha todos chegado ao mesmo prédio
Mais ou menos ao mesmo tempo.
E todos eles eram livres. E eles estavam todos
Se perguntando a mesma questão:
O que está atrás da cortina?
Você nasceu. Então, você é livre. Então, feliz aniversário.
*
Ó Super-Homem (a Massenet)
Ó Super-Homem. Ó Juiz. Ó Mãe e Pai. Pai e Mãe.
Ó Super-Homem. Ó Juiz. Ó Mãe e Pai. Pai e Mãe.
Oi. Eu não estou em casa agora. Mas se quiser deixar um
Recado, por favor falar após soar o sinal.
Alô? É a sua mãe. Você está aí? Você está a caminho de casa?
Alô? Tem alguém em casa? Então, você não me conhece, mas eu conheço você.
E eu tenho um recado para você.
Lá vêm os aviões.
Então, é melhor estar pronto. Pronto para partir. Você pode vir
como está, mas pague quando for. Pague como for.
E eu disse: Ok. Quem é você mesmo? E a voz disse:
Quem fala é a mão, a mão que toma. Quem fala é a
mão, a mão que toma.
Quem fala é a mão, a mão que toma.
Lá vêm os aviões.
São aviões americanos. Feitos na América.
Fumantes ou não-fumantes?
E a voz disse: nem neve ou chuva ou a escuridão
da noite irão deter os correios ao arrebentar
dúzias de cavalos para com toda urgência
chegar a seu destino assinalado.
E quando não houver mais amor, haverá sempre justiça.
E quando não houver mais justiça, haverá sempre força.
E quando não houver mais força, haverá sempre Mãe. Oi, Mãe!
Então, me abraça, Mãe, com seus longos braços. Então, me abraça,
Mãe, com seus longos braços.
Com seus braços automáticos. Seus braços eletrônicos. Com seus braços.
Então, me abraça, Mãe, com seus longos braços.
Seus braços petroquímicos. Seus braços militares.
Com seus braços eletrônicos.
(Notas:1– Quando relançou o disco Grande Ciência em 2007 (ele foi lançado pela primeira vez em 1982), Laurie Anderson escreveu sobre essa canção visual que a tornou conhecida mundialmente: “A canção Ó Super-Homemfoi inspirada em um concerto impressionante que eu ouvi do tenor negro americano Charles Holland. Ele cantou O Souverain (algo como Ó Soberano, em francês), uma ária da ópera El Cidde Jules Massenet. Tinha qualquer coisa nessa música que quase parou meu coração. As pausas, a melodia. ‘O souverain, ô juge, ô père’ (‘Ó soberano, ó juiz, ó pai’, que Laurie Anderson traduziu em inglês assim: ‘O Lord, o judge, o father’, que, por sua vez, é algo como ‘Ó Senhor, ó juiz, ó pai’).
O Souverain foi escrito como uma prece de um cavaleiro na véspera de uma batalha perdida. Os seus temas icônicos me fizeram pensar em Napoleão em Waterloo olhando o campo de batalha devastado coberto de corpos de homens e cavalos. O Souverain era uma prece sobre império, ambição e perda.
Ó Super-Homem também foi inspirada em um evento de abril de 1979. Durante uma missão secreta para resgatar reféns em Teerã, os helicópteros americanos colidiram durante uma tempestade de areia e explodiram. O fracasso da missão foi um golpe para a reputação dos Estados Unidos de superpotência tecnológica e teve um papel importante na queda da administração Carter e no surgimento do Reaganismo. Quase trinta anos depois, nós estamos lutando a mesma guerra de violência militar e econômica.
Em Setembro de 2001, eu estava em uma turnê e toquei Ó Super-Homem no Town Hall em Nova York. O show foi uma semana depois do Onze de Setembro e, enquanto eu cantava ‘Lá vêm os aviões/ São aviões americanos’, eu de repente percebi que estava cantando sobre o presente. Nós estamos relançando Grande Ciência em 18 de junho de 2007, aniversário da batalha de Waterloo”.
2– “Neither snow nor rain nor gloom of night shall stay these couriers from the swift completion of their appointed rounds” é uma citação do lema dos correios americanos, que por sua vez, é uma citação de Heródoto (VIII, XCVIII), quando ele narra o funcionamento do sistema de mensagens dos persas, num momento em que é necessário avisar as derrotas que eles sofreram no mar. Até onde eu consegui apurar, não há nenhum lema em português dos correios, nem no Brasil nem em Portugal. A história dos Correios em língua portuguesa não deixa de ser, todavia, curiosa e de sinalizar uma série de questões talvez relevante para um contexto brasileiro. A Colônia estatizou antes da Metrópole o sistema de trocas epistolares, entre outras coisas porque queria um controle mais rígido sobre o destino das notícias que saíam de Minas, quando das primeiras descobertas de seus materiais preciosos. Além disso, segundo o site dos Correios brasileiros: “As palavras proferidas pelo Conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, ao recomendar pressa na entrega das correspondências, ainda hoje sintetizam a mística do trabalho responsável do carteiro: ‘Arrebente e estafe quantos cavalos necessários, mas entregue a carta com toda a urgência’ – segundo uma versão. ‘Se não arrebentar uma dúzia de cavalos, no caminho, nunca mais será correio; veja o que faz!’ – segundo outra”. A frase de José Bonifácio pareceu saborosa demais, e singular no sentido de flagrar uma atitude comum à forma dos homens de poder lidarem com a vida no exercício de suas necessidades políticas por aqui. De modo que considerei importante tentar combiná-la com trechos da tradução do Heródoto. Se aqui não soam tão claros os temas da destruição do Império e de batalha perdida, certamente outros temas surgem que denunciam na nossa língua um modo de experiência com o mundo comum a nossas práticas culturais e sociais).
*
Exemplo #22
Beispiele paranormaler Tonbandstimmen.
Was sind paranormale Tonbandstimmen?
Es sind Stimmen unbekannte herkunft.
Es sind paranormaler Tonbandstimmen–
(Exemplos de vozes paranormais na fita.
O que são vozes paranormais na fita?
São vozes de origem desconhecida.
São vozes paranormais na fita).
Ihren Klang. Ich verstehe die Sprachen.
Ich verstehe die Sprachen nicht. Ich höre nur
Irhen Klang.
(Seu som. Eu entendo línguas.
Eu não entendo línguas.
Eu ouço só o seu som).
O sol está surgindo bem lento,
Os pássaros voam perto.
Você é o meu amor agora e sempre,
Então, pague o que me deve.
As luzes se vão lentamente,
Nas florestas os animais se movem.
Nos meus sonhos você fala comigo.
Sua voz se move dentro de mim.
Você fala como se me conhecesse.
Então pague o que me deve.
Beispiel Nummer zweiundzwanzig.
(Exemplo #22).
 O sol está surgindo bem lento,
Os pássaros voam perto.
Você é o meu amor agora e sempre,
Então, pague o que me deve.
*
Deixe x=x
Eu vi um cara – e ele parecia alguém que podia
ser um guardador de Achados e Perdidos de uma pista de gelo.
O que, na verdade, acabou que era. E eu disse:
Gente. Acerto de novo.
deixe x=x. Sabe, podia ser com você.
É um azul céu azul. Os satélites saíram hoje à noite.
deixe x=x.
Sabe, eu poderia escrever um livro. E o livro seria
grosso o bastante pra acabar com um boi. Porque eu posso ver o
futuro, e é um lugar – cerca de 110 quilômetros a Leste
daqui. Onde é mais leve. Fica um pouco mais aqui.
Tem tempo? deixe x=x.
Recebi um postal. E ele estava escrito, ele dizia:
Caro Compañero – Caro parceiro.
Ouça, hã. Eu só quero dizer obrigado. Então… obrigado.
Obrigado por todos os presentes. Obrigado por me apresentar ao Chefe.
Obrigado por comer como um boi. Obrigado por tudo que puder.
Obrigado por me mostrar seu canivete suíço. E hã.
Obrigado por me deixar assinar seu gesso.
Abraços e beijos. B-B-BJJJUSX-X-X-X.
Ah, sim. P.S.
Eu – me sinto – como se – estivesse – num prédio em chamas – e tenho que ir.
‘É que eu – me sinto – como se estivesse – num prédio em chamas – e tenho que ir.
(Notas: 1– O original, na última estrofe, ao apresentar o suposto texto do postal, usa a palavra “Amigo”, semelhante em espanhol e em português. E depois apresenta um possível equivalente em inglês, “Partner”. Preferi manter a estranheza do texto do postal começar com uma língua estrangeira, de modo a trocar “Amigo” por “Parceiro”, obtendo no equivalente algo passível de ser aceito como a tradução do “Partner”.

2– Na gravação do disco, esta faixa e a seguinte estão emendadas uma na outra, como em um medley musical. Tanto que o título de ambas vinham, em 1982, juntos, “Let X=X/It tango”. De modo que houve quem cogitasse a possibilidade de ler “Let X=Exit tango” (Algo como ‘Deixe X=Saída tango’). A versão, em CD, de 2007, não apresenta o título desse modo, entretanto. De qualquer modo, ‘Xtão’ é uma grafia possível encontrada na internet para a forma verbal ‘estão’).
*
Tão Tango
Ela disse: parece. Você não acha que parece chuva?
Ele disse: não é. Não é mesmo. Não é igual a uma mulher?
Ela disse: é duro. É mesmo duro, é algo duro de dizer.
Ele disse: não é. Não é mesmo. Não é mesmo igual a uma mulher?
Ela disse: é preciso. É preciso uma. É preciso uma para. É preciso uma para reconhecer outra.
Ele disse: não é mesmo igual a uma mulher?
Ela disse. Ela disse isso. Ela disso para nem. Ela disse isso para ninguém.
Não é. Não é mesmo. Não é mesmo igual a uma mulher?
Seus olhos. Um dia inteiro de trabalho para olhar neles.
Seus olhos. Um dia inteiro de trabalho só para ficar olhando neles.
*
Passear com o cão
Eu vi muitas árvores hoje. E todas eram feitas de madeira.
Bem, eram árvores amadeiradas – e eram feitas inteiramente de madeira.
Bem, eu cheguei em casa hoje, e todos vocês estavam pegando fogo. Sua camisa pegando fogo.
E o seu cabelo pegando fogo. E as chamas lambiam tudo ao redor dos seus pés.
E eu não sabia o que fazer. Então mil violinos começaram a tocar.
E eu não sabia mesmo o que fazer agora, daí eu decidi sair.
E passear com o cão.
Eu fui ao cinema, e vi um cão de 14 metros de altura.
E o cão era feito inteiramente de luz. E ele preenchia toda a tela.
E os seus olhos eram corredores compridos. Ele tinha olhos de corredor compridos, cheios de eco.
Eu liguei o rádio e ouvi uma canção do Luiz Gonzaga. E ele estava cantando:
Oh tamanha judiação. Ah que triste solidão. Eu deixei Rosinha com meu coração.
Mas eu voltarei, viu?
Quando o verde dos olhos se espalhar na plantação.
Bem, você sabe que ele não vai voltar. E eu sei que ele não vai voltar.
E ele sabe que ele nunca vai voltar lá.
Eu só quero saber quem vai passear com o seu cão.
Oh tamanha judiação. Ah que triste solidão.
Mas não tão triste quanto na noite em que fiz esta canção.
Feche os olhos. Muito bem. Agora imagina que você está na melhor das festas. Muito bem.
Comida deliciosa. Hã-hã. Gente interessante. Hã-hã. Ótima música. Hm-hm.
AGORA ABRA OS OLHOS!
(Notas: 1– apesar de esta canção não constar no disco de 1982, ela fez parte do single Ó Super-Homem, e era a segunda peça que Laurie fazia na performance multimídia de 8 horas Estados Unidos I-IV.
2– Talvez não seja, do ponto de vista musical, ou mesmo se considerarmos o desenvolvimento do texto e a vida pessoal do artista, completamente justo utilizar Luiz Gonzaga nessa tradução/adaptação. No original, Laurie menciona a cantora country Dolly Parton, e talvez não faça nenhuma citação tão direta quanto a que empreguei. Uma tradução literal do conjunto de versos seria: “Eu liguei o rádio, e ouvi uma canção de Dolly Parton. E ela estava cantando:/ Oh! Eu me sinto tão mal! Eu me sinto tão triste! Eu deixei minha mãe e meu pai!/ E eu só quero ir para casa agora./ Eu só quero ir para a minha casa na montanha do Tennessee agora”. Não conheço profundamente a obra de Dolly Parton, mas creio que aí temos uma paródia, ou alguma paráfrase cujo texto original não consegui identificar. De fato, o mais próximo tematicamente das canções de Dolly que ouvi para trabalhar na tradução, encontramos em Tennessee Homesick Blues. Porém, a estrutura e as palavras não são nem um pouco semelhantes. O esquema das rimas simples de Asa Brancae a questão temática – com diferenças evidentes, embora de um modo geral semelhante – se encaixavam tão bem que não pude resistir e empreguei ambos, Luiz Gonzaga e Asa Branca, na adaptação (o que talvez no fundo seja apenas demonstração da minha estima por eles). Cheguei a procurar algumas letras cantadas por cantores sertanejos, que talvez fossem uma escolha mais óbvia, porém nenhuma funcionava tanto).
***
Entrevista de Laurie Anderson para a Rádio Silicon Valley.
Bem-vindos à Rádio Silicon Valley. Nós trazemos para você conversas com as personalidades mais influentes da Internet. Hoje, estamos com a cantora, compositora, e artista multimídia Laurie Anderson. Laurie fez sete álbuns no estúdio Warner Bros e produziu a música de filmes de Jonathan Demme e Win Wenders. Ela também criou peças para a Rádio Pública Nacional e compôs diversas peças para orquestra. Atualmente, Laurie trabalha com a Internet, produzindo para seu Web Site em voyagerco.com.
Silicon Valley Radio: Laurie, que qualidades sensíveis das artes podem ser transpostas para a Internet?
Laurie Anderson: Vai ser tão interessante ver que tipo de arte surge nesse espaço – arte e comédia e o que for. Eu acho que a resposta mais óbvia é as mesmas coisas que funcionam aqui, provavelmente. Apesar de visualmente não ser exatamente bonito, eu acho que as pessoas podem visualizar o que é apropriado para o meio. Quer dizer, eu adoro desenhos a lápis. Então, eu acho que você não tem que fazer filmes 35-mm deslizantes e belos para produzir coisas bonitas. Eu acho que artistas que se sentem atraídos por trabalhar com a Internet vão obviamente ajustar o trabalho deles para uma tela bem pequena. 
Há orientadores de alunos da Escola de Artes Visuais em Nova York – onde você pode até conseguir o seu diploma em Cyberarte, o que é realmente um modo fantástico de se especializar em Artes – que estão pensando em teatro de formas diferentes. Estamos numa fase tão experimental e estimulante agora mesmo que é uma maravilha assistir aos artistas surgindo com ideias, algumas que funcionam, outras que não. Mas as coisas que funcionam aqui vão funcionar lá na maior parte das vezes. Só que é impossível prever qualquer coisa desse tipo.
SVR: Como uma artista, você provavelmente está atenta com o assunto de o quanto a tecnologia interfere na emoção que você está tentando passer e o quanto favorece a comunicação. É provavelmente algo difícil de balancear para você. Como você supera isso? Como julga o que é apropriado? E como isso vai ser traduzido na Internet?
Anderson: Eu uso tecnologia de modos bastante simples, de modos que eu mesma possa fazer tudo. Quer dizer, eu não peço para ninguém fazer a identidade visual ou nada do tipo. Eu prefiro sentar e tentar fazer uma animação no Premiere, se ficar com cara de feito em casa, e daí? Quer dizer, tem um monte de gente no mundo que faz os visuais mais belos, brilhantes e super produzidos.  Eu tento não me focar nisso, mas nas ideias e emoções que eu estou tentando enxergar.
SVR: Quem são os artistas que você admira e por quê?
Anderson: Eu admiro muito Thomas Pynchon. E estou pensando agora na palavra “artista” no seu sentido mais amplo. “O arco-íris da gravidade” é tão bonito exatamente porque é bem multidimensional. Eu gosto mesmo de livros que você pode tanto ouvir como pensar, e que são também gráficos e visuais. Eu queria fazer uma ópera desse livro, na verdade, e eu escrevi para ele e perguntei se ele estava de acordo (de verdade, eu achei o cara; ele é um bocado recluso). E ele me escreveu essa carta engraçada. Ele disse: “Você pode fazer, mas só pode usar um banjo”. E então eu pensei: “Bem, obrigado. Eu não sei se posso fazer assim”. Acho que esse foi o jeito educado de ele dizer: “Não. Você não pode fazer isso de modo algum”.
Enfim, outros artistas que eu gosto – Eu gosto de William Burroughs por causa da voz. Eu me sinto quase perdida ao responder isso, porque eu aprecio tanto quando alguém tenta fazer alguma coisa e tenta fazer artisticamente que eu fico feliz só de ver o trabalho. A única coisa que eu realmente não gosto são os musicais da Broadway. Eu detesto.
SVR: O que tem nos musicais da Broadway que te irrita?
Anderson: Por favor, não começa esse assunto. (Risos). Eu, na verdade, não gosto de falar das coisas que eu não gosto. Você entende, né? Eu não aguento mesmo.
SVR: Fala alguma coisa que as pessoas não sabem sobre você – algum interesse, hobby ou peculiaridade do seu jeito que não podemos imaginar conhecendo quem você é como performer?
Anderson: Eu tenho um novo hobby, que são os invertebrados. Eu tinha essa quitinete que usava de estúdio, e ela tinha uma parede bem grossa. A vista dava para o rio Hudson e para outras salas e quartos. Eu sempre quis encher a janela com água e peixes e coisas. Então eu acabei fazendo isso mesmo. Eu mudei o meu estúdio de gravação para outro lugar, e coloquei um grande aquário de água salgada nesse lugar. Então, esse é o meu novo hobby.  Eu não vou colocar nenhum peixe no aquário porque eu tenho medo de coisas que ficam boiando. E eu detesto zoológicos.
Então, vão ser só os invertebrados: corais diferentes, pequenas criaturas que têm esses tubos longos e que ondulam na brisa de debaixo d’água, e criaturas que não poderiam explorar muito mais que as dimensões de um aquário. É realmente fantástico. Só que é um hobby que dá um bocado de trabalho. Eu nunca tinha tido um hobby antes. Quer dizer, a não ser que você conte a arte, que, uma vez, a Receita Federal me disse que eu tinha que declarar como hobby porque eu não tinha obtido nenhuma renda com isso nos últimos anos. Isso foi há bastante tempo atrás e eu estava apenas começando. Eles disseram: ‘A não ser que você ganhe dinheiro no próximo ano, você deve declarar esse suposto trabalho como um hobby’.
SVR: O que você acha de cobras?
Anderson: Eu gosto de répteis.
SVR: Você gosta?
Anderson: Claro. Eu gosto do que é frio e escamoso ao toque. Quer dizer, eu gosto de coisas mornas e peludas também, mas tem alguma coisa nas cobras que me faz querer contar histórias sobre elas. E eu escrevi muitas histórias sobre cobras. Tem alguma coisa muito primitiva nisso. E eu gosto muito mesmo de cobras.
SVR: Você acha que vai chegar a escrever livros para crianças algum dia?
Anderson: Eu escrevi alguns livros para crianças, há muito, muito tempo atrás. O primeiro livro que eu escrevi era para crianças. O nome dele era “O Pacote”, e era uma história de suspense em ilustrações. Não tinha nenhuma palavra. E também foi a primeira coisa que eu fiz estritamente por causa do dinheiro. Eu estava na faculdade, e eu estava sem dinheiro nenhum, e era orgulhosa demais para pedir para os meus pais. Mas o meu dinheiro todo tinha acabado, aí eu decidi que ia fazer um livro. Então – eu me lembro muito bem disso – era uma sexta de tarde, e eu andei até a primeira editora que encontrei na lista telefônica, Bobbs-Merrill, e fui me sentar no escritório deles.
         Bem, eu falei com a secretária e disse, ‘Eu gostaria de falar com alguém sobre um livro que eu quero fazer’. E a secretária fez, ‘Ah, claro. Eu sinto, querida, mas nós marcamos reuniões com seis meses de antecedência’. Eu disse, ‘Bem, tudo bem. Você se importa se eu ficar aqui sentada esperando?’. E fiquei lá sentada com todos os meus desenhos por quase oito horas, olhando para diante, sem ler nada. Finalmente, às quatro e meia mais ou menos, um editora disse, ‘Muito bem, o que você quer? Vamos para o meu escritório’. Eu mostrei os desenhos e disse, ‘Eu gostaria de fazer um livro chamado O Pacote, etc. etc.’
         Ela disse, ‘Sabe, eu ia simplesmente mandar você sair daqui. Eu nem acredito, mas quer saber, eu fiquei realmente interessada’. E eu disse, ‘Ótimo! Podemos fechar o contrato agora?’. Ela ficou assim, ‘Ah, essas coisas levam tempo, levam advogados, sabe. A gente não tem como fazer isso, entende? Mas eu adoraria mesmo fazer esse livro. Eu nem acredito que eu estou dizendo isso, mas é verdade, eu quero mesmo fazer’. E eu disse, ‘Bem, ótimo, mas eu tenho que te contar que estou sem dinheiro. Você poderia me dar um adiantamento?’. E essa mulher era tão incrível, que ela tirou da própria bolsa e me deu setenta dólares.
         Eu fui saltitando para casa, e eu estava bem feliz. Afinal, quando eu finalmente fui paga pelo livro, eu estava andando de volta da editora e fiquei muito orgulhosa que tinha lançado um livro. Não tinha nenhuma importância se era um livro para crianças ou de qualquer outro tipo. Eu passei por uma agência de viagens. Grande avião. Visite a Jamaica. Eu entrei, comprei uma passagem e saí. Foram as melhores férias que eu tinha tido, porque eu cheguei nesse lugar na Jamaica e disse, ‘Eu sou uma autora de livros, estou trabalhando no meu segundo livro e, por favor, não incomode’. Eu não tinha nenhum papel comigo, e nenhum plano de trabalhar.
SVR: Como você era quando criança?
Anderson: Uma nerd. Chegava na escolar mais cedo para dar de comer para os peixes. Eu gostava de peixes naquela época. Insuportável de metida, sabe? Eu sempre li muito. Sou de uma família muito grande, então todo o momento que eu podia passar sozinha, eu tentava me virar por mim mesma.
SVR: Sendo uma Anderson, você é fã de Hans Christian Andersen?
Anderson: Famílias de origens diferentes. Ele é do sul. Nós somos a versão sueca, os -sons, e eles são dinamarqueses. Mas, é, eu gosto de histórias de assustar. Eu provavelmente gosto mais dos contos de fadas alemães porque eles são ainda mais amedrontadores.
SVR: De onde o seu corte de cabelo característico veio? Qual a história por trás dele?
Anderson: Tédio. Eu estava na Alemanha, e alguém me disse que o teatro onde a gente estava trabalhando tinha que adiar os nossos shows por uma semana. Nós ficamos presos em Munique sem nada para fazer, e tinha esse manipulador de marionetes japonês que chegou e me disse, ‘Que tal se eu cortar o seu cabelo bem curto?’. Aí eu disse, ‘Ótimo, faz isso mesmo’.
SVR: Qual o elogio que você ouviu sobre a sua arte e mais gostou?
Anderson: Eu não lido bem com elogios. Quer dizer, eu sempre abaixo a cabeça e balanço meio desajeitada, então eu tento esquecer imediatamente, porque os elogios meio que me lembram que eu deveria estar trabalhando. E eu sou mesmo uma workaholic.
SVR: Você e Lou Reed ainda estão juntos? Como o relacionamento de vocês está indo?
Anderson: Bem, sabe quando você se apaixona por alguém, é assim que está indo.
SVR: O Lou Reed tem algum tipo de interesse pela Internet?
Anderson: É, ele dá uma olhada no que tem por aí.
SVR: Foi ele quem abriu os seus olhos para formas diferentes de encarar a sua arte ou você que fez isso com ele?
Anderson: Bem, eu acho que ele provavelmente me fez mais dura na queda. E com isso eu quero dizer que se eu fico meio que falando em torno de alguma coisa, ele simplesmente vai e fala, ‘Por que você não diz só o que realmente pensa? Ok? Você não precisa ser bacana, ou fingir’. Então isso é muito interessante. E talvez ele esteja aprendendo comigo quase que o oposto.
Sabe, eu fico meio assim, ‘Você não tem que dizer isso de cara. Você pode caminhar um pouco antes de chegar nisso’. Mas é claro que a melhor coisa é que eu nunca sei o que esperar do Lou. É ótimo estar com alguém que está sempre te surpreendendo com suas opiniões e pensamentos. Isso é muito estimulante.
SVR: Quais são os ingredientes chaves para fazer um relacionamento funcionar?
Anderson: Oh, você perguntou isso para a pessoa completamente errada. [Risos]. Eu jamais me assumiria como capaz de fazer qualquer comentário desse tipo. É simplesmente um grande milagre quando as coisas acontecem, e elas acontecem por causa de uma variedade imensa das razões mais loucas. Se fizesse qualquer declaração desse tipo, eu me sentiria simplesmente ridícula.
SVR: Quais são as suas ambições para o futuro?
Anderson: Eu tenho uma ideia bem ambiciosa em que eu estou trabalhando agora, que é uma grande plano de cinco anos. Depois que eu voltei da minha última turnê, eu me dei conta que em vez de fazer o que eu faço normalmente, que é ir de um projeto para o próximo, eu acho que gostaria de realmente pensar no que gostaria de fazer durante um período de tempo maior
Então, eu fiz vários gráficos e todos eles têm linhas pontilhadas que conectam um ao outro, mostrando como as ideias diferentes podem ser relacionadas. Eu recomendo fortemente isso para as pessoas, simplesmente tomar uma distância maior e pensar, ‘O que eu realmente gostaria de fazer se eu não tivesse nenhum tipo de limitação?’.
Eu espero que eu consiga fazer algumas dessas coisas. Mas se eu não chegar a fazer todas elas, eu ainda acho que foi um ótimo exercício de aprendizado sobre que artista eu sou. Simplesmente meio que pensar o que eu realmente gostaria de fazer, o que eu realmente sonho em realizar.
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Canção, Laurie Anderson, Lucas Matos