Bliss não tem bis
8 de abril de 2013



A primeira reunião do que depois veio a ser uma revista de poesia de número único, a Bliss, foi feita num dos populares bares que ficam em frente à Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Começou com o sol no céu, terminou quando as coisas precisam fechar e tudo termina. A folha em que a discussão foi anotada foi depois scaneada, e são basicamente garranchos esparsos de uma conversa animada, e cujo raciocínio talvez não seja fácil recuperar hoje. A ideia inicial era a de uma revista dedicada à poesia erótica, com poemas, entrevista com Glauco Mattoso e mangá ligeiramente pornográfico. Nas reuniões seguintes, boa parte disso foi reformulada; o que permaneceu foi a sensação de que poemas – e quaisquer outros textos – precisam de experiências, de riscos, do amontoado de embaralhados emocionais e descobertas de desejo, que os avivam.
Desde o início, planejamos fazer com que os encontros nos poemas, ou dos poemas, e mesmo com ou a partir de poemas, pudessem ganhar um espaço na internet, na forma de um blogue, em que novas experiências, riscos, embaralhados emocionais e descobertas de desejo pudessem ser suscitados. Quer dizer, que as ideias que estavam lá, na primeira reunião, pudessem voltar agora modificadas – já que a pata do mundo não tende a deixar nada quieto – e ganhar nova vida.
 Foi necessário, antes disso, talvez, que tivéssemos realizados os encontros de poesia “Bliss não tem BIS” – que, depois da estreia, no Rio de Janeiro, e de uma apresentação em Cachoeira no Recôncavo Baiano, vão para a terceira edição (a ser marcada) – para poder chegar aqui hoje. Se a temporalidade transitória de dizer poemas em auditórios, bares, etc., pode ser uma alegria em si, ela também aponta para a vontade de que ela ganhe outros espaços, igualmente transitórios, mas de velocidades distintas. Por isso, a ideia desse blogue, sem bis, sem repetição, cada termo da série com sua singularidade inigualável.
Um blogue como um beijo. Kiss Bliss.

              Anotações primeiro encontro


Bliss não tem bis